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O fim do ano tá chegando, a cidade está cheia de luzes coloridas e na tevê o Zezé di Camargo já canta musicas natalinas sob o slogan da Marabraz.
Com 2010 tão iminente é quase impossível evitar de fazer planos pros próximos 365 dias, muito embora saibamos que metade deles não vai sair do papel. Mas isso não importa, por que esse é o único período das nossas vidas em que nos permitimos ter esperança.
E é aquela esperança irracional, sabe? Que não se baseia em nada além do otimismo, como quando prometemos aprender dois novos idiomas, a despeito de não conseguirmos sequer conjugar um verbo no particípio.
É a época em que nos lembramos de como as coisas são potencialmente bonitas. De como meia dúzia de lâmpadas podem tornar etérea a figura de um prédio cinza, ou de como a história de um garoto numa manjedoura pode dar sentido às nossas vidas.
Na verdade, o fim do ano serve pra que o mundo pare e perceba tudo o que nos é normalmente invisível, como o sofrimento alheio. A gente experimenta a empatia quase pela primeira vez. E não é à toa que tantos de nós não gostam do Natal: é estranho entrar em contato com todos os sentimentos que o dia-a-dia forçosamente coloca no automático.
Eu tenho 23 anos de vida e posso, felizmente, agradecer por cada um deles. Nunca fui despedaçada pelo mundo ao meu redor, como muitos foram. Tenho ao meu lado as pessoas mais incríveis do universo, e dentro de mim o amor que move montanhas. Não guardo no coração nenhum sentimento nocivo e as poucas amarguras que insistem em aparecer são facilmente expulsas com um abraço apertado ou uma palavra carinhosa.
Carrego comigo a gratidão pela família que tenho e pelo que fazem por mim. Por ter um anjo ao meu lado que, com asas invisíveis, chamo de mãe. Por ter errado muitas vezes e aprendido com os erros. E, acima de tudo, agradeço por ter uma fé inabalável num futuro tão bom quanto o presente.
Neste fim de ano, ao fazer aquela clássica retrospectiva, percebi que não importa o que tenha acontecido nos últimos 12 meses: a única verdade é que eu posso e sou uma pessoa muito feliz. Inclusive por ter a chance de notar isso.
Não sei se ainda posto alguma outra coisa antes do Reveillon, mas caso isso não aconteça, deixo desde já meus votos de paz e amor pra todos vocês, minha meia dúzia de leitores nerds. Que todos consigam fazer de 2010 um ano de alegrias e superações, por que essa é a chave da vida.
E sejamos felizes, pois é tudo que devemos a nós mesmos.
Um beijão e fiquem com Deus. =)
18.12.09
15.12.09
Da Série: FIKDIK (II)
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Se você já ouviu falar de Nick Cave, sabe que o sujeito é um pouco, ahn…. excêntrico. E isso já ficaria evidente, ainda se ele não fizesse mais nada além de usar aquele penteado aerodinâmico, tirado de algum filme ruim dos anos 80 e mantido até hoje.
Agora, se você é como a maioria e nem imagina quem seja a figura em questão, permita-me alguns esclarecimentos: Nick Cave é um artista australiano, de 52 anos, notoriamente conhecido por suas canções pesadas e sombrias. O cara baila entre religião, morte, amor e ódio em suas letras, entoando cada palavra com uma voz que faria Leonard Cohen correr para os braços da mãe.
Em 1984 ele fundou, junto com um amigo de longa data, a banda “The Bad Seeds” (nome retirado de um filme e outra das incontáveis referências presentes em seus trabalhos) com a qual se tornou mais conhecido do grande público, fazendo inclusive parcerias com gente como PJ Harvey e Kilye Minogue.
Mas o talento alternativo do moço não fica só nas notas musicais e se estende também para a literatura e cinema. Ele já publicou o livro “And the ass saw the Angel” – com uma temática tão sombria quanto o próprio autor - , além de escrever o roteiro de “Ghosts… of the civil dead”, lançado em 1989.
Falar de Nick Cave é se embrenhar numa mata tão densa que fica fácil se perder. Então para evitar que o post se torne muito técnico, vamos partir direto pras recomendações mais interessantes, principalmente se você está conhecendo o Sr. Caverna agora:
- Murder Ballads (1996): a primeira vez que eu escutei este CD, precisei de uns 40 minutos até assimilar toda a complexidade da coisa. São 10 faixas, cada uma delas narrando um crime diferente, seja pelos olhos da vítima ou do criminoso, com uma riqueza de detalhes aterradora. Sem duvida o trabalho ganha mais significado quando o ouvinte entende inglês ou tem acesso à tradução das letras, porque só assim se percebe a grandeza do que Nick fez naquelas canções. O cara praticamente transformou merda em ouro ao escrever coisas como "Song of Joy", onde um homem narra a vida e morte de sua mulher e três filhas, pelas mãos de um maníaco que invadiu sua casa durante a noite. A voz gutural de Cave e a interpretação certa de cada momento, fazem com que a música arrepie todos os poros do seu corpo. Quando ouvi pela primeira vez, durante uma madrugada insone, terminei o terceiro play consecutivo agarrada aos fones de ouvido, como um gato prestes a tomar banho, consumindo eufórica toda a morbidez da letra. Outros destaques do CD ficam por conta das participações especiais da inglesa ( e possível rolo de Mr. Cave ) Pj Harvey, em "Henry Lee", e de Kilye Minogue numa lúgubre e romântica "Where the wild roses grow".
"Was it an act of contrition or some awful premonition,
As if she saw into the heart of her final blood-soaked night.
Those lunatic eyes, that hungry kitchen knife….
Ah, I see sir, that I have your attention!
Well, could it be?”
(trecho de Song of Joy - Murder Ballads/1996)
-------------------
Se a essa altura você já está achando Nick Cave um degenerado filho de Satã, calma lá. Não é só porque 89% do que o cara faz versa sobre estripações e chacinas, que ele não possa ter alguns momentos de sensibilidade na vida. Foi isso que aconteceu, por exemplo, quando Nick escreveu as duas proximas indicações do post:
Into My Arms (The Boatman´s Call - 1997)
Into my Arms tem, possivelmente, uma das mais belas e tocantes letras que eu já vi. Segundo o próprio Cave, a inspiração pra compor essa belezinha veio enquanto ele estava dentro de uma capela, dessas de interior, sem pensar em nada. Porque é assim que acontece com os gênios, né? A idéia simplesmente ATACA seus neurônios de uma hora pra outra. Enfim, o resultado foram palavras capazes de conquistar até a mais cascuda das donzelas, fazendo-a esquecer que o sujeito é feio pracaraleo.
"Eu não acredito na existência de um Deus intervencionista,
Mas eu sei, querida, que você acredita.
E se eu acreditasse, me ajoelharia diante Dele
E pediria para que não interviesse sobre você
Não tocasse em um fio do seu cabelo
E que se fosse necessário te guiar
Que lhe guiasse para os meus braços.
Para os meus braços, ó Senhor...
E eu não acredito na existência de anjos,
Mas olhando para você, me pergunto se não seria verdade.
E se eu acreditasse, convocaria a todos e pediria
Para que olhassem por você.
Para que cada um acendesse uma vela e clareassem seus caminhos
E te levassem, como a Cristo, por entre graças e amor
Até meus braços.
Até meus braços, ó Senhor...
Mas eu acredito no amor,
E sei, querida, que você também.
E eu acredito em alguma espécie de direção
Que ambos podemos seguir, eu e você.
Então mantenha sua vela queimando
E faça o caminho claro e puro
Para que possamos voltar sempre
E para sempre... "
***
- The Ship Song (Single - 1990)
Eu não sei exatamente porque gosto tanto dessa música. Claro que a melodia é linda e a letra também tem trechos arrebatadores, mas.... talvez o que mais agrade seja a delicadeza inesperada que a voz de Cave passa enquanto caminha pelas palavras. É de uma maciez impensada para alguém como ele. É simples e direta, como as notas certeiras no piano quase etéreo. Sei lá.... Ship Song me pega pelos calcanhares e, com sorte, também vai pegar você.
"Venha navegar ao meu redor
E queime todas as suas pontes
Nós fazemos um pouco de história, querida
Cada vez que você está por perto.
Solte seus cachorros em mim
E deixe seus cabelos se soltarem.
Você é um pequeno mistério para mim
Sempre que está por perto.
Nós conversamos durante toda a noite,
nós definimos nossa moral,
Mas quando me arrasto para seus braços
Todo o resto desmorona.
Seu rosto está triste agora
Pois você sabe que o momento está chegando
Quando eu preciso arrancar suas asas
E você precisa tentar voar.
Você é um pequeno mistério para mim..."
---------------------
Se você se interessou em conhecer mais sobre Nick Cave, ou simplesmente não tem nada mais útil pra fazer no momento, aí abaixo está o link de onde você pode baixar o Murder Ballads inteiro. No mesmo site também dá pra achar as outras duas musicas citadas, é só fuçar. E eu sei que você sabe se virar no 4shared, leitor nerd do meu coração.
http://search.4shared.com/network/search.jsp?sortType=1&sortOrder=1&sortmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchDescription=&searchExtention=&sizeCriteria=atleast&sizevalue=10&start=0
Bora lá e se esforcem pra enxergar no tio Cave mais coisas além de um cabelo sofrível e possível depressão crônica. =)
Se você já ouviu falar de Nick Cave, sabe que o sujeito é um pouco, ahn…. excêntrico. E isso já ficaria evidente, ainda se ele não fizesse mais nada além de usar aquele penteado aerodinâmico, tirado de algum filme ruim dos anos 80 e mantido até hoje.
Agora, se você é como a maioria e nem imagina quem seja a figura em questão, permita-me alguns esclarecimentos: Nick Cave é um artista australiano, de 52 anos, notoriamente conhecido por suas canções pesadas e sombrias. O cara baila entre religião, morte, amor e ódio em suas letras, entoando cada palavra com uma voz que faria Leonard Cohen correr para os braços da mãe.
Em 1984 ele fundou, junto com um amigo de longa data, a banda “The Bad Seeds” (nome retirado de um filme e outra das incontáveis referências presentes em seus trabalhos) com a qual se tornou mais conhecido do grande público, fazendo inclusive parcerias com gente como PJ Harvey e Kilye Minogue.
Mas o talento alternativo do moço não fica só nas notas musicais e se estende também para a literatura e cinema. Ele já publicou o livro “And the ass saw the Angel” – com uma temática tão sombria quanto o próprio autor - , além de escrever o roteiro de “Ghosts… of the civil dead”, lançado em 1989.
Falar de Nick Cave é se embrenhar numa mata tão densa que fica fácil se perder. Então para evitar que o post se torne muito técnico, vamos partir direto pras recomendações mais interessantes, principalmente se você está conhecendo o Sr. Caverna agora:
- Murder Ballads (1996): a primeira vez que eu escutei este CD, precisei de uns 40 minutos até assimilar toda a complexidade da coisa. São 10 faixas, cada uma delas narrando um crime diferente, seja pelos olhos da vítima ou do criminoso, com uma riqueza de detalhes aterradora. Sem duvida o trabalho ganha mais significado quando o ouvinte entende inglês ou tem acesso à tradução das letras, porque só assim se percebe a grandeza do que Nick fez naquelas canções. O cara praticamente transformou merda em ouro ao escrever coisas como "Song of Joy", onde um homem narra a vida e morte de sua mulher e três filhas, pelas mãos de um maníaco que invadiu sua casa durante a noite. A voz gutural de Cave e a interpretação certa de cada momento, fazem com que a música arrepie todos os poros do seu corpo. Quando ouvi pela primeira vez, durante uma madrugada insone, terminei o terceiro play consecutivo agarrada aos fones de ouvido, como um gato prestes a tomar banho, consumindo eufórica toda a morbidez da letra. Outros destaques do CD ficam por conta das participações especiais da inglesa ( e possível rolo de Mr. Cave ) Pj Harvey, em "Henry Lee", e de Kilye Minogue numa lúgubre e romântica "Where the wild roses grow".
"Was it an act of contrition or some awful premonition,
As if she saw into the heart of her final blood-soaked night.
Those lunatic eyes, that hungry kitchen knife….
Ah, I see sir, that I have your attention!
Well, could it be?”
(trecho de Song of Joy - Murder Ballads/1996)
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Se a essa altura você já está achando Nick Cave um degenerado filho de Satã, calma lá. Não é só porque 89% do que o cara faz versa sobre estripações e chacinas, que ele não possa ter alguns momentos de sensibilidade na vida. Foi isso que aconteceu, por exemplo, quando Nick escreveu as duas proximas indicações do post:
Into My Arms (The Boatman´s Call - 1997)
Into my Arms tem, possivelmente, uma das mais belas e tocantes letras que eu já vi. Segundo o próprio Cave, a inspiração pra compor essa belezinha veio enquanto ele estava dentro de uma capela, dessas de interior, sem pensar em nada. Porque é assim que acontece com os gênios, né? A idéia simplesmente ATACA seus neurônios de uma hora pra outra. Enfim, o resultado foram palavras capazes de conquistar até a mais cascuda das donzelas, fazendo-a esquecer que o sujeito é feio pracaraleo.
"Eu não acredito na existência de um Deus intervencionista,
Mas eu sei, querida, que você acredita.
E se eu acreditasse, me ajoelharia diante Dele
E pediria para que não interviesse sobre você
Não tocasse em um fio do seu cabelo
E que se fosse necessário te guiar
Que lhe guiasse para os meus braços.
Para os meus braços, ó Senhor...
E eu não acredito na existência de anjos,
Mas olhando para você, me pergunto se não seria verdade.
E se eu acreditasse, convocaria a todos e pediria
Para que olhassem por você.
Para que cada um acendesse uma vela e clareassem seus caminhos
E te levassem, como a Cristo, por entre graças e amor
Até meus braços.
Até meus braços, ó Senhor...
Mas eu acredito no amor,
E sei, querida, que você também.
E eu acredito em alguma espécie de direção
Que ambos podemos seguir, eu e você.
Então mantenha sua vela queimando
E faça o caminho claro e puro
Para que possamos voltar sempre
E para sempre... "
***
- The Ship Song (Single - 1990)
Eu não sei exatamente porque gosto tanto dessa música. Claro que a melodia é linda e a letra também tem trechos arrebatadores, mas.... talvez o que mais agrade seja a delicadeza inesperada que a voz de Cave passa enquanto caminha pelas palavras. É de uma maciez impensada para alguém como ele. É simples e direta, como as notas certeiras no piano quase etéreo. Sei lá.... Ship Song me pega pelos calcanhares e, com sorte, também vai pegar você.
"Venha navegar ao meu redor
E queime todas as suas pontes
Nós fazemos um pouco de história, querida
Cada vez que você está por perto.
Solte seus cachorros em mim
E deixe seus cabelos se soltarem.
Você é um pequeno mistério para mim
Sempre que está por perto.
Nós conversamos durante toda a noite,
nós definimos nossa moral,
Mas quando me arrasto para seus braços
Todo o resto desmorona.
Seu rosto está triste agora
Pois você sabe que o momento está chegando
Quando eu preciso arrancar suas asas
E você precisa tentar voar.
Você é um pequeno mistério para mim..."
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Se você se interessou em conhecer mais sobre Nick Cave, ou simplesmente não tem nada mais útil pra fazer no momento, aí abaixo está o link de onde você pode baixar o Murder Ballads inteiro. No mesmo site também dá pra achar as outras duas musicas citadas, é só fuçar. E eu sei que você sabe se virar no 4shared, leitor nerd do meu coração.
http://search.4shared.com/network/search.jsp?sortType=1&sortOrder=1&sortmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchDescription=&searchExtention=&sizeCriteria=atleast&sizevalue=10&start=0
Bora lá e se esforcem pra enxergar no tio Cave mais coisas além de um cabelo sofrível e possível depressão crônica. =)
17.11.09
Barbie girl.
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Apesar de ter nascido com um par de cromossomos X ebastante atração pelo sexo oposto, confesso que nunca fui muito chegada à meninices. E por meninices me refiro à tudo aquilo que faz parte do complexo universo feminino: roupa, maquiagem, salto alto, esmalte...
Agora, de cabeça, não consigo me lembrar quando exatamente percebi que essa não era a minha. Mas tenho algumas recordações de, aos 5 ou 6 anos, estar dando pití por que a minha mãe queria me colocar dentro de uma meia-calça. Aquele troço me arrepiava todos os poros: desde a textura estranha, passando pelo fato de ser claustrofóbicamente colada ao corpo, mais o calor que me dava... era o caos.
De lá pra cá, a situação permaneceu bastante parecida. Ainda hoje só tenho duas dessas crias de Lúcifer no armário (para casos de extrema e irrevogável necessidade). E uma delas é arrastão, o que ameniza um pouco o negócio do calor.
Por causa dessa minha ligeira repulsa aos trejeitos femininos, já ouvi muita coisa. A mais frequente é sobre o time que eu jogo, saca? Pessoal tem a intrigante mania de associar falta de frescura à sapatice. Nada contra, eu acho que cada um faz o que bem quiser da vida e da periquita, mas no meu caso a história é outra. Eu não sou avessa à meninices por ser uma forma de exteriorizar um lado masculino da minha personalidade, ou como uma espécie de protesto contra a castrada educação feminina, que prega ideais de beleza inalcançáveis e aprisiona nossa auto-estima em jaulas de cobranças impossíveis.
Eu sou contra meninices simplesmente porque elas são chatas pracaralho!
Vaaaamos, se alguma mulher está lendo isso agora, admita: existe algum minimo prazer em se usar um salto alto, por exemplo? Anatomicamente falando, é uma abominação! O ser humano não foi criado pra caminhar sobre a ponta dos pés, feito um maldito flamingo. Essa porra faz mal!
E não só isso. O que acontece com essa história de CURVEX? Vocês já olharam bem praquilo? Eu poderia apostar que ele é usado como objeto de tortura em algumas culturas. O formato ameaçador, a idéia de que aquilo vai dobrar seus cílios pra cima... os cílios!!!
Honestamente: o quão fodida é uma sociedade que implica até com o grau de curvatura dum pêlodezóio?
You may say I´m a dreamer, but.... tudo o que se pode esperar do mundo, é que ele seja um lugar onde você possa ostentar cílios retos como uma vara de pescar, sem ser torturado por isso.
E saiba, querido homem que está acompanhando este desabafo, que até agora eu peguei leve. Ainda não entrei no mérito daquilo que, eu considero, a mais atroz das práticas femininas: a depilação.
Quem nunca experimentou, não consegue ter noção do que é isso. Não importa a técnica, a bagaça é desumana. Seja arrancando os pelos (maldita reforma ortográfica, quero o acento de volta) da sobrancelha com uma pinça, os da perna com cera fria ou os do rabo com cera quente, a depilação faz você repensar o sentido da vida.
Coloque um terrorista numa sala, com um pote de cera quente de um lado, uma espátula do outro e diga "pois bem, seu Mohammed... tá na hora de fazer a linha do biquini", e o cara te passa o CEP do Bin Laden na hora.
Pode ser impressão, mas parece que tudo o que tange a vaidade feminina vai basicamente contra a vontade da Mãe Natureza. A mulher nasceu peluda? Bora deixar ela pelada. Ela tem o cabelo enrolado? Passem ferro quente nessa merda até alisar. O cabelo nasceu liso? Passem ferro quente nessa merda até enrolar. Ela é branca feito um urso polar? Tranquem-na numa câmara cheia de lâmpadas até ela ficar bem-passada...
É tudo muito perverso pro meu gosto. Claro, eu vivo em sociedade e por mais anarquista que queira ser, também acabo cedendo vez por outra à tais práticas medievais. Mas o mínimo direito a que me reservo é o de fazer tudo isso reclamando. E tem mais: faço somente o estritamente necessário. A não ser quando eu mesma estiver numa vibe masoquista e me propuser a isso, não me venha com essa de "você ficaria linda de salto" ou "que tal um reflexo no cabelo?"
Até porque, se isso significa falta de feminilidade, muito prazer... pode me chamar de ZECÃO.
Apesar de ter nascido com um par de cromossomos X e
Agora, de cabeça, não consigo me lembrar quando exatamente percebi que essa não era a minha. Mas tenho algumas recordações de, aos 5 ou 6 anos, estar dando pití por que a minha mãe queria me colocar dentro de uma meia-calça. Aquele troço me arrepiava todos os poros: desde a textura estranha, passando pelo fato de ser claustrofóbicamente colada ao corpo, mais o calor que me dava... era o caos.
De lá pra cá, a situação permaneceu bastante parecida. Ainda hoje só tenho duas dessas crias de Lúcifer no armário (para casos de extrema e irrevogável necessidade). E uma delas é arrastão, o que ameniza um pouco o negócio do calor.
Por causa dessa minha ligeira repulsa aos trejeitos femininos, já ouvi muita coisa. A mais frequente é sobre o time que eu jogo, saca? Pessoal tem a intrigante mania de associar falta de frescura à sapatice. Nada contra, eu acho que cada um faz o que bem quiser da vida e da periquita, mas no meu caso a história é outra. Eu não sou avessa à meninices por ser uma forma de exteriorizar um lado masculino da minha personalidade, ou como uma espécie de protesto contra a castrada educação feminina, que prega ideais de beleza inalcançáveis e aprisiona nossa auto-estima em jaulas de cobranças impossíveis.
Eu sou contra meninices simplesmente porque elas são chatas pracaralho!
Vaaaamos, se alguma mulher está lendo isso agora, admita: existe algum minimo prazer em se usar um salto alto, por exemplo? Anatomicamente falando, é uma abominação! O ser humano não foi criado pra caminhar sobre a ponta dos pés, feito um maldito flamingo. Essa porra faz mal!
E não só isso. O que acontece com essa história de CURVEX? Vocês já olharam bem praquilo? Eu poderia apostar que ele é usado como objeto de tortura em algumas culturas. O formato ameaçador, a idéia de que aquilo vai dobrar seus cílios pra cima... os cílios!!!
Honestamente: o quão fodida é uma sociedade que implica até com o grau de curvatura dum pêlodezóio?
You may say I´m a dreamer, but.... tudo o que se pode esperar do mundo, é que ele seja um lugar onde você possa ostentar cílios retos como uma vara de pescar, sem ser torturado por isso.
E saiba, querido homem que está acompanhando este desabafo, que até agora eu peguei leve. Ainda não entrei no mérito daquilo que, eu considero, a mais atroz das práticas femininas: a depilação.
Quem nunca experimentou, não consegue ter noção do que é isso. Não importa a técnica, a bagaça é desumana. Seja arrancando os pelos (maldita reforma ortográfica, quero o acento de volta) da sobrancelha com uma pinça, os da perna com cera fria ou os do rabo com cera quente, a depilação faz você repensar o sentido da vida.
Coloque um terrorista numa sala, com um pote de cera quente de um lado, uma espátula do outro e diga "pois bem, seu Mohammed... tá na hora de fazer a linha do biquini", e o cara te passa o CEP do Bin Laden na hora.
Pode ser impressão, mas parece que tudo o que tange a vaidade feminina vai basicamente contra a vontade da Mãe Natureza. A mulher nasceu peluda? Bora deixar ela pelada. Ela tem o cabelo enrolado? Passem ferro quente nessa merda até alisar. O cabelo nasceu liso? Passem ferro quente nessa merda até enrolar. Ela é branca feito um urso polar? Tranquem-na numa câmara cheia de lâmpadas até ela ficar bem-passada...
É tudo muito perverso pro meu gosto. Claro, eu vivo em sociedade e por mais anarquista que queira ser, também acabo cedendo vez por outra à tais práticas medievais. Mas o mínimo direito a que me reservo é o de fazer tudo isso reclamando. E tem mais: faço somente o estritamente necessário. A não ser quando eu mesma estiver numa vibe masoquista e me propuser a isso, não me venha com essa de "você ficaria linda de salto" ou "que tal um reflexo no cabelo?"
Até porque, se isso significa falta de feminilidade, muito prazer... pode me chamar de ZECÃO.
15.11.09
Da série: FIKDIK.
---------------
Estamos estreando um novo segmento deste blog que, apesar de não ter lá muitas ambições, tenta ser ao menos simpático aos olhos dos leitores: o Fikdik. (lê-se "fica a dica", ô zé ruela...)
A proposta é trazer para a meia-dúzia de gatos pingados que lêem essa bodega, algum tipo de indicação - seja de filmes, livros, programas de TV, comida congelada ou qualquer outra coisa - que valha a pena conhecer. Claro, serão opiniões particulares, então muitas vezes a dica dada poderá ser uma merda sem precedentes. Nesses casos, favor desconsiderar meu mal gosto e ler o próximo post.
Bora lá:
Começo falando sobre o filho do hómi - calma, não vou recomendar nenhuma conversão ou sessão do descarrego: o hómi neste caso é Stephen King, e seu filho, Joe Hill.
King é velho conhecido de qualquer pessoa que tenha o mínimo apreço pela literatura de horror/suspense contemporânea. E também de quem odeia ler, haja visto que quase tudo que ele escreve vira filme ou série. Já seu filho não é tão famoso assim, pelo menos por essas bandas, mas isso não significa que seja menos talentoso: por vezes eu até prefiro as obras do Júnior às do Papi.
Com um estilo bastante direto, sem nenhuma afetação literária, Hill (que adotou este nome para, entre outras coisas, não carregar a fama do pai escritor) consegue produzir histórias que são ao mesmo tempo reais e fantásticas.
Recomendo dois livros:

A estrada da noite - um romance com pitadas de sobrenatural, muita ação e rock and roll, onde o roqueiro Jude e sua namoradinha adolescente se vêem perseguidos pelo espírito do padrasto de uma das fãs que o músico "papou" há tempos atrás. Quem gosta de música vai encontrar algumas referencias bem bacanas aqui e ali, mas fãs de terror podem se desapontar. Em certa altura, a história perde um pouco do medo que deveria transmitir. Isso não torna o livro ruim, apenas diferente. E apesar de, à primeira vista, a premissa parecer meio forçada, acredite: a trama se desenrola bem facilmente, tornando a leitura agradável e fluída.
"Jude deu mais um passo à frente, mas estava pouco à vontade. Não era só uma coisa. Era tudo. Era o ambiente mal iluminado (....) era o pensamento de que alguém teria, ainda há pouco, atravessado o escritório e talvez ainda estivesse por perto, observando da escuridão do banheiro, pela fresta da porta entreaberta... "
-----------------------
Fantasmas do Século XX - uma coletânea de contos que dançam entre o terror e o fantástico, explorando facetas diversas da ficção que Hill domina tão bem. Nota para o conto "Pop Art" que me pareceu particularmente interessante, embora não seja nem de longe o mais assustador. Algumas histórias pegam direto na veia, com descrições de fazer o ar faltar aos pulmões, enquanto outras mergulham sem rumo na fantasia. Garante uma ótima leitura pra quem gosta do inusitado.
"... ele amarra suas mãos nas costas e joga-a no chão da traseira de sua picape, onde ela descobre um menino mais ou menos da sua idade, que primeiro pensa estar morto, e que teve o rosto desfigurado de maneira indescritível. Seus olhos estão escondidos atrás de um par de buttons amarelos, com o desenho de uma carinha sorridente. Foram espetados bem no meio de suas pálpebras - costuradas com fios de aço - e de suas órbitas... "
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É isso macacada: duas boas opções pra quando o combo da NET for pra merda e te deixar sem tv, internet e telefone. Enjoy. =)
Estamos estreando um novo segmento deste blog que, apesar de não ter lá muitas ambições, tenta ser ao menos simpático aos olhos dos leitores: o Fikdik. (lê-se "fica a dica", ô zé ruela...)
A proposta é trazer para a meia-dúzia de gatos pingados que lêem essa bodega, algum tipo de indicação - seja de filmes, livros, programas de TV, comida congelada ou qualquer outra coisa - que valha a pena conhecer. Claro, serão opiniões particulares, então muitas vezes a dica dada poderá ser uma merda sem precedentes. Nesses casos, favor desconsiderar meu mal gosto e ler o próximo post.
Bora lá:
Começo falando sobre o filho do hómi - calma, não vou recomendar nenhuma conversão ou sessão do descarrego: o hómi neste caso é Stephen King, e seu filho, Joe Hill.
King é velho conhecido de qualquer pessoa que tenha o mínimo apreço pela literatura de horror/suspense contemporânea. E também de quem odeia ler, haja visto que quase tudo que ele escreve vira filme ou série. Já seu filho não é tão famoso assim, pelo menos por essas bandas, mas isso não significa que seja menos talentoso: por vezes eu até prefiro as obras do Júnior às do Papi.
Com um estilo bastante direto, sem nenhuma afetação literária, Hill (que adotou este nome para, entre outras coisas, não carregar a fama do pai escritor) consegue produzir histórias que são ao mesmo tempo reais e fantásticas.
Recomendo dois livros:

A estrada da noite - um romance com pitadas de sobrenatural, muita ação e rock and roll, onde o roqueiro Jude e sua namoradinha adolescente se vêem perseguidos pelo espírito do padrasto de uma das fãs que o músico "papou" há tempos atrás. Quem gosta de música vai encontrar algumas referencias bem bacanas aqui e ali, mas fãs de terror podem se desapontar. Em certa altura, a história perde um pouco do medo que deveria transmitir. Isso não torna o livro ruim, apenas diferente. E apesar de, à primeira vista, a premissa parecer meio forçada, acredite: a trama se desenrola bem facilmente, tornando a leitura agradável e fluída.
"Jude deu mais um passo à frente, mas estava pouco à vontade. Não era só uma coisa. Era tudo. Era o ambiente mal iluminado (....) era o pensamento de que alguém teria, ainda há pouco, atravessado o escritório e talvez ainda estivesse por perto, observando da escuridão do banheiro, pela fresta da porta entreaberta... "
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Fantasmas do Século XX - uma coletânea de contos que dançam entre o terror e o fantástico, explorando facetas diversas da ficção que Hill domina tão bem. Nota para o conto "Pop Art" que me pareceu particularmente interessante, embora não seja nem de longe o mais assustador. Algumas histórias pegam direto na veia, com descrições de fazer o ar faltar aos pulmões, enquanto outras mergulham sem rumo na fantasia. Garante uma ótima leitura pra quem gosta do inusitado.
"... ele amarra suas mãos nas costas e joga-a no chão da traseira de sua picape, onde ela descobre um menino mais ou menos da sua idade, que primeiro pensa estar morto, e que teve o rosto desfigurado de maneira indescritível. Seus olhos estão escondidos atrás de um par de buttons amarelos, com o desenho de uma carinha sorridente. Foram espetados bem no meio de suas pálpebras - costuradas com fios de aço - e de suas órbitas... "
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É isso macacada: duas boas opções pra quando o combo da NET for pra merda e te deixar sem tv, internet e telefone. Enjoy. =)
Morde aqui, ó!
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Prestes a bater um mês sem atualizações, eis que dou as caras por aqui.
Mas nenhum post muito inspirado está a caminho, caro leitor. Minha criatividade anda numa terrível crise, daquelas que sempre me acometem quando eu finalmente resolvo que "ei, seria legal ter um blog!". No entanto, chafurdando minha insólita mente atrás de qualquer assunto minimamente interessante pra compartilhar, dou de frente com Robert Pattinson.
Quem? - pergunta boa parte de vocês.
Robert Pattinson é a mais nova coqueluche de 11 entre 10 pré-adolescentes hormonais, que encontraram na saga de Crepúsculo um bom motivo pra ler algo além da Atrevida deste mês. O rapaz - dotado de uma beleza um tanto exótica - não é exatamente um mestre da interpretação. Come poeira diante do talento de nomes como Shia Labeouf ou Emile Hirsch, atores da mesma geração e que conseguem de fato significar algum diferencial nos filmes em que atuam (muito embora o primeiro deles tenha se tornado coadjuvante da volúpia MeganFoxiniana, em Transformers).
O apelo de Pattinson está em outros méritos: ele tem aquele ar de quem não liga pra fama que tem. Estamos falando de um garoto de 23 anos que - na pele de Edward Cullen, vampiro galã e cavalheiro à moda beeem antiga - coleciona fãs como Bill Gates coleciona notas de 100. E parece não se afetar com isso.
Claro que, em se tratando de celebridades, nunca podemos descartar a hipótese de tudo ser uma bela jogada de marketing, mas é inegável que Robert Pattinson e seu eterno semblante de quem cabulou a reabilitação são os ingredientes certos para aguçar o apetite do público. Confesso que até eu, que já passei da adolescência há um certo tempo, dou meus suspiros sempre que vejo o topete desgrenhado do tal vampiro.
Quanto à obra literária que deu origem aos filmes, também admito que gosto. Dos quatro livros, li os dois primeiros e metade do terceiro. Um único porém: excetuando o próprio Crepúsculo, que vem com todo o mistério da descoberta de Bella (no filme, Kristen Stewart - outra atriz que merece menção por seu avesso apelo holywoodiano) e adrenalina subsequente, os outros acabam caindo num romantismo exagerado pro meu gosto. Nada que comprometa muito o desenrolar da trama, mas depois do décimo oitavo "prefiro morrer esmagado por búfalos que viver sem você" a coisa meio que soa melosa demais.
Enfim, a sequencia cinematográfica "Lua Nova" tá pra estrear esses dias e promete menos Pattinson, pra frustração das vampiretes, e mais do lobisomem Taylor Lautner - cujo talento dramático eu nem imagino qual seja, mas torço pra ser tão bom quanto o abdomem que ele vai exibir durante boa parte do filme.
Vou esperar pra ver se o lobinho também desperta a tiete - graças ao companheiro de elenco - não tão adormecida em mim. Mas já adianto uma coisa: se os cães são os melhores amigos do homem, os morcegos estão se tornando, cada vez mais, o maior sonho das mulheres.
Prestes a bater um mês sem atualizações, eis que dou as caras por aqui.
Mas nenhum post muito inspirado está a caminho, caro leitor. Minha criatividade anda numa terrível crise, daquelas que sempre me acometem quando eu finalmente resolvo que "ei, seria legal ter um blog!". No entanto, chafurdando minha insólita mente atrás de qualquer assunto minimamente interessante pra compartilhar, dou de frente com Robert Pattinson.
Quem? - pergunta boa parte de vocês.
Robert Pattinson é a mais nova coqueluche de 11 entre 10 pré-adolescentes hormonais, que encontraram na saga de Crepúsculo um bom motivo pra ler algo além da Atrevida deste mês. O rapaz - dotado de uma beleza um tanto exótica - não é exatamente um mestre da interpretação. Come poeira diante do talento de nomes como Shia Labeouf ou Emile Hirsch, atores da mesma geração e que conseguem de fato significar algum diferencial nos filmes em que atuam (muito embora o primeiro deles tenha se tornado coadjuvante da volúpia MeganFoxiniana, em Transformers).
O apelo de Pattinson está em outros méritos: ele tem aquele ar de quem não liga pra fama que tem. Estamos falando de um garoto de 23 anos que - na pele de Edward Cullen, vampiro galã e cavalheiro à moda beeem antiga - coleciona fãs como Bill Gates coleciona notas de 100. E parece não se afetar com isso.
Claro que, em se tratando de celebridades, nunca podemos descartar a hipótese de tudo ser uma bela jogada de marketing, mas é inegável que Robert Pattinson e seu eterno semblante de quem cabulou a reabilitação são os ingredientes certos para aguçar o apetite do público. Confesso que até eu, que já passei da adolescência há um certo tempo, dou meus suspiros sempre que vejo o topete desgrenhado do tal vampiro.
Quanto à obra literária que deu origem aos filmes, também admito que gosto. Dos quatro livros, li os dois primeiros e metade do terceiro. Um único porém: excetuando o próprio Crepúsculo, que vem com todo o mistério da descoberta de Bella (no filme, Kristen Stewart - outra atriz que merece menção por seu avesso apelo holywoodiano) e adrenalina subsequente, os outros acabam caindo num romantismo exagerado pro meu gosto. Nada que comprometa muito o desenrolar da trama, mas depois do décimo oitavo "prefiro morrer esmagado por búfalos que viver sem você" a coisa meio que soa melosa demais.
Enfim, a sequencia cinematográfica "Lua Nova" tá pra estrear esses dias e promete menos Pattinson, pra frustração das vampiretes, e mais do lobisomem Taylor Lautner - cujo talento dramático eu nem imagino qual seja, mas torço pra ser tão bom quanto o abdomem que ele vai exibir durante boa parte do filme.
Vou esperar pra ver se o lobinho também desperta a tiete - graças ao companheiro de elenco - não tão adormecida em mim. Mas já adianto uma coisa: se os cães são os melhores amigos do homem, os morcegos estão se tornando, cada vez mais, o maior sonho das mulheres.
21.10.09
Antes da hora.
---------------
Fábio era prematuro. Pesava pouco mais de 1 quilo quando nasceu. A mãe, já passando dos 35, não tivera a gravidez tranqüila que merecia. Da sala de parto o menino foi levado à incubadora, onde ficou por treze dias sob o olhar descrente de médicos e enfermeiras. Uma infecção respiratória, por fim, colocou um ponto à vida que mal começara. Lágrimas de uma família incompleta rolaram pelo pequeno que, saberia-se depois, não partiria tão facilmente. Primeiro vieram os choros infantes durante a noite e os brinquedos que caiam no quartinho vazio. Depois a depressão da mãe que, uma semana após, não dormia ou se alimentava. Perdera a sanidade, pensavam. Na segunda semana, perdeu também a saúde: acamou-se por doença desconhecida. No décimo segundo dia, ninava com braços fracos um corpo que não se via: dizia estar finalmente embalando o filho querido. No raiar do décimo terceiro, seus olhos distantes encontraram a morte. Pois, assim como a criança que gerou, também ela não estava preparada para as cruezas deste mundo.
Fábio era prematuro. Pesava pouco mais de 1 quilo quando nasceu. A mãe, já passando dos 35, não tivera a gravidez tranqüila que merecia. Da sala de parto o menino foi levado à incubadora, onde ficou por treze dias sob o olhar descrente de médicos e enfermeiras. Uma infecção respiratória, por fim, colocou um ponto à vida que mal começara. Lágrimas de uma família incompleta rolaram pelo pequeno que, saberia-se depois, não partiria tão facilmente. Primeiro vieram os choros infantes durante a noite e os brinquedos que caiam no quartinho vazio. Depois a depressão da mãe que, uma semana após, não dormia ou se alimentava. Perdera a sanidade, pensavam. Na segunda semana, perdeu também a saúde: acamou-se por doença desconhecida. No décimo segundo dia, ninava com braços fracos um corpo que não se via: dizia estar finalmente embalando o filho querido. No raiar do décimo terceiro, seus olhos distantes encontraram a morte. Pois, assim como a criança que gerou, também ela não estava preparada para as cruezas deste mundo.
20.10.09
Love hurts.
-----------------
Ah, o amor.
Existe no mundo coisa mais bela e sublime do que este sentimento que nos furta toda lógica, racionalidade, senso do ridículo, instinto de preservação e dígitos do saldo bancário?
Claro que existe. Coisa pracaralho, inclusive.
Mas não pense que sou uma pessoa amarga, que repudia o romantismo e todas as juras eternas que o acompanham, só por admitir isso. Bem pelo contrário: eu gosto de Matrix, sou fã de uma boa ficção e acho até que toda essa coisa de “alma gêmea” é um conceito interessante. Quero dizer, graças a isso foram feitos alguns dos melhores livros e filmes que conhecemos.
Só que, verdade seja dita, eles nunca superam os subprodutos do pé na bunda.
Não existe inspiração nesse universo que tenha gerado mais arte do que o amor que sai pela culatra. Sejamos honestos; se você já foi passado pra trás, sabe que não há nada como um belo corno para despertar o artista esquecido. Músicas, poemas, quadros, origami, bonecos de vodu, tudo isso desabrocha tão logo percebemos que o “eu te amo” virou “vá se foder”.
Aliás, é um caso de estudo. Não conheço nada nesta dimensão que transmute com mais velocidade que o amor. Ele vira ódio antes que o Super-Homem consiga sequer pensar em vestir suas ceroulas vermelhas, numa cabine telefônica.
Pergunta pra Alanis Morissete. Dá até pra ver uma veia saltando na testa dela, enquanto escrevia a letra de You Oughta Know:
Did you forget about me, Mr. Duplicity?
I hate to bug you in the middle of dinner.
It was a slap in the face how quickly I was replaced
Are you thinking of me when you fuck her?
(…)
And I'm not gonna fade,
as soon as you close your eyes, and you know it.
And every time I scratch my nails down someone else's back
I hope you feel it...well can you feel it?
E estes são só os trechos revoltados. O resto da música contém ironia o suficiente pra matar um humorista inglês:
An older version of me,
Is she perverted like me?
Would she go down on you in a theatre?
Does she speak eloquently?
And would she have your baby?
I'm sure she'd make a really excellent mother.
Claro, a tia Alanis não soube lidar lá muito sutilmente com a perda. Existem pessoas que são um pouco mais cool nesse quesito. Tipo o Phil Collins, que ao invés de mandar a outra pessoa enfiar uma granada sem pino no rabo, optou pela linha “não to ligando de ter sido mais avacalhado que a Vanusa cantando o hino” :
Well, I dont care now what you say,
cuz every day Im feeling fine with myself.
And I dont care now what you say.
Hey, Ill do alright by myself.
(…)
And I really aint bothered what you think of me,
cos all I want of you is just a let me be (…)
I dont care what you say,
I never did believe you much anyway.
Basicamente o cara tá dizendo que cagou litros pro rompimento e que nem tava tão afim, mesmo. Sabe, né? A velha mentira descarada que todo mundo conta pra tentar se convencer de que a coisa não é tão ruim. Seria o equivalente sentimental àquela criança que perde três dentes de leite no balanço, e depois sai dizendo que “nem doeu”.
E estes são apenas dois exemplos. A lista teria quilômetros se eu entrasse no repertório sertanejo, e estratosférica se entrássemos nas composições emo que contagiaram o mundo feito uma pandemia de gripe.
Mas só pra não dizerem que me falta patriotismo, uma palavrinha de Waldick Soriano sobre o tema:
Tu não sabes compreender
Quem te ama, quem te adora
Tu só sabes maltratar-me
E por isso eu vou embora.
A pior coisa do mundo
É amar sendo enganado
Quem despreza um grande amor
Não merece ser feliz, nem tão pouco ser amado.
Reparou que o sujeito faz o tipo “vou dar um pé, antes de levar”, né?
Isso raramente dá certo, porque no fundo você sabe que não ter sido oficialmente chutado foi mais uma questão de tática, que de merecimento. Sua bunda já tava na mira faz tempo.
E pra encerrar, seria uma heresia não fechar o post citando a musica que melhor descreve o fundo do poço pra onde o toco te arrasta. O hino preso na garganta de todo mundo que já percebeu o quão deliciosamente filho da puta um grande amor pode ser.
Senhoras e senhores, se algum dia vocês encheram a cara pra esquecer um pé na bunda, é hora de dizer:
Porque, se o amor criou Romeu e Julieta, o pé na bunda nos deu Reginaldo Rossi e seu cabelo Assolan.
E depois disso, filhote.... não tem como torcer pra sermos felizes para sempre, tem? =P
Ah, o amor.
Existe no mundo coisa mais bela e sublime do que este sentimento que nos furta toda lógica, racionalidade, senso do ridículo, instinto de preservação e dígitos do saldo bancário?
Claro que existe. Coisa pracaralho, inclusive.
Mas não pense que sou uma pessoa amarga, que repudia o romantismo e todas as juras eternas que o acompanham, só por admitir isso. Bem pelo contrário: eu gosto de Matrix, sou fã de uma boa ficção e acho até que toda essa coisa de “alma gêmea” é um conceito interessante. Quero dizer, graças a isso foram feitos alguns dos melhores livros e filmes que conhecemos.
Só que, verdade seja dita, eles nunca superam os subprodutos do pé na bunda.
Não existe inspiração nesse universo que tenha gerado mais arte do que o amor que sai pela culatra. Sejamos honestos; se você já foi passado pra trás, sabe que não há nada como um belo corno para despertar o artista esquecido. Músicas, poemas, quadros, origami, bonecos de vodu, tudo isso desabrocha tão logo percebemos que o “eu te amo” virou “vá se foder”.
Aliás, é um caso de estudo. Não conheço nada nesta dimensão que transmute com mais velocidade que o amor. Ele vira ódio antes que o Super-Homem consiga sequer pensar em vestir suas ceroulas vermelhas, numa cabine telefônica.
Pergunta pra Alanis Morissete. Dá até pra ver uma veia saltando na testa dela, enquanto escrevia a letra de You Oughta Know:
Did you forget about me, Mr. Duplicity?
I hate to bug you in the middle of dinner.
It was a slap in the face how quickly I was replaced
Are you thinking of me when you fuck her?
(…)
And I'm not gonna fade,
as soon as you close your eyes, and you know it.
And every time I scratch my nails down someone else's back
I hope you feel it...well can you feel it?
E estes são só os trechos revoltados. O resto da música contém ironia o suficiente pra matar um humorista inglês:
An older version of me,
Is she perverted like me?
Would she go down on you in a theatre?
Does she speak eloquently?
And would she have your baby?
I'm sure she'd make a really excellent mother.
Claro, a tia Alanis não soube lidar lá muito sutilmente com a perda. Existem pessoas que são um pouco mais cool nesse quesito. Tipo o Phil Collins, que ao invés de mandar a outra pessoa enfiar uma granada sem pino no rabo, optou pela linha “não to ligando de ter sido mais avacalhado que a Vanusa cantando o hino” :
Well, I dont care now what you say,
cuz every day Im feeling fine with myself.
And I dont care now what you say.
Hey, Ill do alright by myself.
(…)
And I really aint bothered what you think of me,
cos all I want of you is just a let me be (…)
I dont care what you say,
I never did believe you much anyway.
Basicamente o cara tá dizendo que cagou litros pro rompimento e que nem tava tão afim, mesmo. Sabe, né? A velha mentira descarada que todo mundo conta pra tentar se convencer de que a coisa não é tão ruim. Seria o equivalente sentimental àquela criança que perde três dentes de leite no balanço, e depois sai dizendo que “nem doeu”.
E estes são apenas dois exemplos. A lista teria quilômetros se eu entrasse no repertório sertanejo, e estratosférica se entrássemos nas composições emo que contagiaram o mundo feito uma pandemia de gripe.
Mas só pra não dizerem que me falta patriotismo, uma palavrinha de Waldick Soriano sobre o tema:
Tu não sabes compreender
Quem te ama, quem te adora
Tu só sabes maltratar-me
E por isso eu vou embora.
A pior coisa do mundo
É amar sendo enganado
Quem despreza um grande amor
Não merece ser feliz, nem tão pouco ser amado.
Reparou que o sujeito faz o tipo “vou dar um pé, antes de levar”, né?
Isso raramente dá certo, porque no fundo você sabe que não ter sido oficialmente chutado foi mais uma questão de tática, que de merecimento. Sua bunda já tava na mira faz tempo.
E pra encerrar, seria uma heresia não fechar o post citando a musica que melhor descreve o fundo do poço pra onde o toco te arrasta. O hino preso na garganta de todo mundo que já percebeu o quão deliciosamente filho da puta um grande amor pode ser.
Senhoras e senhores, se algum dia vocês encheram a cara pra esquecer um pé na bunda, é hora de dizer:
Porque, se o amor criou Romeu e Julieta, o pé na bunda nos deu Reginaldo Rossi e seu cabelo Assolan.
E depois disso, filhote.... não tem como torcer pra sermos felizes para sempre, tem? =P
Juramento de "Hipócritas"
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Se você tem um plano de saúde, já deve ter percebido que – como sempre acontece com planos – ele nunca funciona.
Tente marcar uma consulta e comprove que poucas coisas são tão irritantes quanto a indisponibilidade médica, a falta de boa vontade por parte das secretárias e a ineficácia no seu diagnóstico.
Já começa pelo maldito guia. Lá existem milhares de nomes, cujos quais você nunca ouviu na vida, e é dentre eles que você deve sortear o ser humano ao qual irá entregar sua saúde. E depois ainda falam em “roleta russa”.
O único e mais plausível critério pra selecionar o profissional é a proximidade entre ele e a sua casa. Isso sem contar a simpatia pela graça do sujeito: acabamos rejeitando Rodrigos por que parecem muito novos, Felisbertos porque parecem muito velhos, ZunChuLis porque são muito chineses e Ronaldos porque são muito corintianos (licença poética aqui).
Depois de fechar os olhos e apontar aleatoriamente a pessoa que vai ser responsável pela continuidade da sua vida neste mundo (e de esperar aproximadamente dois ciclos lunares por um horário vago) é chegado o momento de ir ao consultório e saber em qual boca de porco você se enfiou.
Geralmente a sala de espera já é um bom termômetro do que te aguarda no consultório. Certos proctologistas, por exemplo, são bastante coerentes: o atendimento da secretária é uma merda e você já toma no cu quando a consulta atrasa em mais de uma hora.
Com sorte, oaçougueiro… quero dizer, o médico, vai analisar seu caso de forma superficial, dando eventuais olhadelas pro seu rosto, enquanto digita freneticamente alguma coisa no computador. Você acha que ele está registrando seu histórico médico, eu acho que ele está no Chat da Uol dizendo que a mãe de alguém tem pêlo na teta. Mas isso é uma opinião pessoal, claro.
Por fim, quando você acredita que finalmente resolveu seus problemas, porque o Doutor receitou uma pomada e 3 comprimidos, fica sabendo do famoso “retorno”. Repare, caro leitor, que ele nunca acontece antes de 30 dias. E isso tem uma explicação simples: os planos de saúde só autorizam o pagamento aos médicos por consultas feitas num intervalo mínimo de um mês.
Entendeu a sacanagem?
Isso significa que não importa se o remédio que te receitaram só precisa de 15 dias pra fazer efeito ou se o médico já pode avaliar a sua melhora em menos tempo. Você só vai colocar suas patas assalariadas dentro do consultório outra vez, quando a secretária puder passar seu cartão na máquina e rechear os bolsos do dotô.
É por essas e outras que, quando me falam em saúde pública, SUS e todas essas siglas que traduzem o atendimento vagabundo oferecido pelo governo, eu fico pensando se aqueles que pagam a mais por algum tipo de “privilégio” – se é que ter um tratamento decente pode ser considerado privilégio – está mesmo com a vantagem, ou só está mudando o endereço da carteira pra onde vai o dinheiro que lhe afanaram.
Me desculpem mas, quando o assunto é saúde, eu ainda sou mais a receita de chá da minha avó....
Se você tem um plano de saúde, já deve ter percebido que – como sempre acontece com planos – ele nunca funciona.
Tente marcar uma consulta e comprove que poucas coisas são tão irritantes quanto a indisponibilidade médica, a falta de boa vontade por parte das secretárias e a ineficácia no seu diagnóstico.
Já começa pelo maldito guia. Lá existem milhares de nomes, cujos quais você nunca ouviu na vida, e é dentre eles que você deve sortear o ser humano ao qual irá entregar sua saúde. E depois ainda falam em “roleta russa”.
O único e mais plausível critério pra selecionar o profissional é a proximidade entre ele e a sua casa. Isso sem contar a simpatia pela graça do sujeito: acabamos rejeitando Rodrigos por que parecem muito novos, Felisbertos porque parecem muito velhos, ZunChuLis porque são muito chineses e Ronaldos porque são muito corintianos (licença poética aqui).
Depois de fechar os olhos e apontar aleatoriamente a pessoa que vai ser responsável pela continuidade da sua vida neste mundo (e de esperar aproximadamente dois ciclos lunares por um horário vago) é chegado o momento de ir ao consultório e saber em qual boca de porco você se enfiou.
Geralmente a sala de espera já é um bom termômetro do que te aguarda no consultório. Certos proctologistas, por exemplo, são bastante coerentes: o atendimento da secretária é uma merda e você já toma no cu quando a consulta atrasa em mais de uma hora.
Com sorte, o
Por fim, quando você acredita que finalmente resolveu seus problemas, porque o Doutor receitou uma pomada e 3 comprimidos, fica sabendo do famoso “retorno”. Repare, caro leitor, que ele nunca acontece antes de 30 dias. E isso tem uma explicação simples: os planos de saúde só autorizam o pagamento aos médicos por consultas feitas num intervalo mínimo de um mês.
Entendeu a sacanagem?
Isso significa que não importa se o remédio que te receitaram só precisa de 15 dias pra fazer efeito ou se o médico já pode avaliar a sua melhora em menos tempo. Você só vai colocar suas patas assalariadas dentro do consultório outra vez, quando a secretária puder passar seu cartão na máquina e rechear os bolsos do dotô.
É por essas e outras que, quando me falam em saúde pública, SUS e todas essas siglas que traduzem o atendimento vagabundo oferecido pelo governo, eu fico pensando se aqueles que pagam a mais por algum tipo de “privilégio” – se é que ter um tratamento decente pode ser considerado privilégio – está mesmo com a vantagem, ou só está mudando o endereço da carteira pra onde vai o dinheiro que lhe afanaram.
Me desculpem mas, quando o assunto é saúde, eu ainda sou mais a receita de chá da minha avó....
19.10.09
Eles tinham razão.
-----------------------
Ademar era agente imobiliário. Sozinho, vivera sob as rédeas de uma família supersticiosa durante a infância e adolescência. Fosse por cultura ou falta de argumentos melhores, aprendeu as boas maneiras através de histórias fantásticas: o homem do saco, o boi da cara preta, a cuca que vinha pegar. Depois eram espelhos que se quebravam, o gato preto da vizinha e seus olhos de fogo, as escadas sob as quais não se podia passar.
Quando cresceu, saiu de casa e ganhou independência sobre suas convicções. Tornara-se ateu: nem o céu, nem o inferno o esperavam na morte e por hora ganhava a vida vendendo sonhos que seu salário não podia comprar. O único conforto era culpar a própria incapacidade pelo fiasco de seu destino. Até o dia em que, após receber o triste e magro 13 salário, encontrou um homem na volta pra casa. Armado, tatuagens pelo corpo, olhos febris. Queria o dinheiro que Ademar não lhe daria. Gritos, e de repente a noite se fez vermelha: um corpo, três tiros. E a única verdade que ecoava na morte: pelo menos o número 13 não lhe trouxera mesmo nenhuma sorte.
Ademar era agente imobiliário. Sozinho, vivera sob as rédeas de uma família supersticiosa durante a infância e adolescência. Fosse por cultura ou falta de argumentos melhores, aprendeu as boas maneiras através de histórias fantásticas: o homem do saco, o boi da cara preta, a cuca que vinha pegar. Depois eram espelhos que se quebravam, o gato preto da vizinha e seus olhos de fogo, as escadas sob as quais não se podia passar.
Quando cresceu, saiu de casa e ganhou independência sobre suas convicções. Tornara-se ateu: nem o céu, nem o inferno o esperavam na morte e por hora ganhava a vida vendendo sonhos que seu salário não podia comprar. O único conforto era culpar a própria incapacidade pelo fiasco de seu destino. Até o dia em que, após receber o triste e magro 13 salário, encontrou um homem na volta pra casa. Armado, tatuagens pelo corpo, olhos febris. Queria o dinheiro que Ademar não lhe daria. Gritos, e de repente a noite se fez vermelha: um corpo, três tiros. E a única verdade que ecoava na morte: pelo menos o número 13 não lhe trouxera mesmo nenhuma sorte.
Homem comum.
...........................................
Sentado atrás de uma pequena e insossa mesa, sobre a qual meu nome aparece impresso numa igualmente vagabunda placa de metal, eu me sinto como se mandasse no mundo. Na verdade eu só mando em 7 funcionários mal remunerados e bastante insatisfeitos, mas não importa. Ao lado do nome na placa, resplandece a única coisa que meus olhos se importam em ver: "chefe de departamento".
Sentado atrás de uma pequena e insossa mesa, sobre a qual meu nome aparece impresso numa igualmente vagabunda placa de metal, eu me sinto como se mandasse no mundo. Na verdade eu só mando em 7 funcionários mal remunerados e bastante insatisfeitos, mas não importa. Ao lado do nome na placa, resplandece a única coisa que meus olhos se importam em ver: "chefe de departamento".
Sim, eu sou chefe e aquelas cinco letras me conferem o poder de fazer o que eu bem quero desse lugar. Algo extremamente revigorante, uma vez que - embora meu trabalho seja sumamente inútil e tedioso – existem outras pessoas que não só exercem piores e mais tristes funções, como ainda me trazem cafezinhos frescos sempre que eu peço. Afinal elas só tem um emprego; eu tenho um cargo.
Aposto como agora, você leitor, já me considera um porco chauvinista. Um homem sem escrúpulos ou moral, do tipo que chuta pombas pela rua. Está errado: eu tenho cá algum principio e não faria tal coisa com as pombas. Até porque as safadas tem um ótimo reflexo, diferente de mim, que aos 32 anos mal consigo me esquivar dos insultos da minha mulher.
Eu sou apenas uma vítima do sistema. Uma estatística sem valor na demografia brasileira, assim como você. Mas ao contrário de você, eu não me preocupo em disfarçar minha sofrível existência - que nem sofrível o suficiente é para que eu me torne digno de compaixão; nunca passei fome, tenho uma saúde relativamente forte e minha infância não foi exatamente traumática. Pelo menos não mais do que todas são. Eu sou e sempre fui um ponto nulo na sociedade, que se criou na classe média e luta pra dela não sair.
Também não fui dotado de beleza, se é que está se perguntando. O mais longe que minha aparência me levou foi ao banco de trás de um Gol 90, com uma loirinha desinibida no terceiro ano da faculdade. No mais, minha esposa costumava dizer - antes de se afeiçoar à idéia do divórcio - que se encantou mesmo pela minha inteligência. Conversa: golfinhos são inteligentes e ninguém nunca se casou com um. A verdade é que as poucas e felizes noites de sexo irresponsável da minha vida foram fruto de muita insistência e uma certa dose de álcool.
Infelizmente, porém, não tive muito tempo para exercitar tais técnicas de conquista. Numa dessas noites em que a tequila falou mais alto que a razão, acabei arranjando um filho, um casamento falido e a pior ressaca da minha vida. Embora já conhecesse minha esposa há anos, nunca cogitei a possibilidade de manter com ela algo mais sério que um fim de semana na praia. Ela, no entanto, parecia nutrir por mim uma espécie de amor platônico, desde os tempos de colégio, quando dividíamos a mesma sala de aula e o lanche no intervalo.
Lembro que receber a notícia de que ela estava grávida, foi como receber uma bolada de baseball nos testículos. Duas vezes. Posso jurar que o quarto ao nosso redor deu algumas piruetas e o mundo entrou em slow motion. Não me parecia plausível a idéia de que um cara, que não conseguia pagar as próprias multas de trânsito, pudesse se tornar responsável pela vida de outra pessoa. Ou melhor: de duas.
Então, coloquei as mãos na cabeça e fiz o que qualquer homem na minha posição faria: entrei em pânico.
Claro que ela esperava uma reação mais calorosa. Algo como um choro compulsivo, declarações de amor eterno e meia dúzia de rojões. Bem, eu estava bastante perto do choro compulsivo, se ela quer saber. Pelas próximas duas horas, ambos debatemos nossas opções: aborto foi logo descartado – ela era de família religiosa e parecia acreditar que nós pegaríamos perpétua sem direito à condicional no inferno, por isso. Apesar das outras possibilidades não me parecerem menos terríveis – e da certeza de que a reação dos pais dela, ao receberem as novas, colocaria o Apocalipse no bolso – aquela idéia também não me agradou. Decidimos ter o filho.
Desde então minha vida foi uma sucessão de insatisfações constantes que, com sorte, podiam acabar em momentos de alegria passageira. Marcamos o casamento pra maio, por que essa parece ter sido uma das condições impostas pelo pai dela, caso eu não quisesse ser castrado. A cerimônia foi cara, mas saiu do jeito que a minha mulher esperava. O vestido, as alianças, o bolo, a roupa refeita trinta vezes das damas de honra, cada lembrancinha enrolada em fita dourada, estava tudo lá. E por incrível que pareça, até o noivo apareceu na hora do sim.
Por falar em bolo, não sei se foi culpa de algum ingrediente, mas logo após a lua de mel – passada numa paradisíaca praia há 2 horas de casa, e tudo que meu dinheiro podia pagar – minha mulher começou a repensar nossa recente união. Ela gosta de dizer até hoje que eu ronquei durante duas noites, antes de resolver cumprir meu “papel de marido”. Erro meu; ter arcado com quase todas as despesas da festa, agüentar o olhar psicopata do meu sogro sempre que eu chegava a menos de 2 metros dele e encontrar um lugar decente pra abrigar minha mais nova família, obviamente não eram coisas que me abonassem como marido.
Enfim, os meses foram se passando. Quando o Henrique nasceu, senti a mais genuína felicidade que um ser humano pode experimentar na vida. Era como se, de repente, todos os sonhos e desejos dos quais eu havia aberto mão durante aquele tempo, culminassem num único e arrebatador momento de alegria. Eu era pai e nada podia mudar aquilo.
Minha mulher também parecia se sentir mais confortável no papel de mãe, que no de esposa. E aquilo não me importava: durante alguns anos eu realmente sublimei a vida apática que estávamos levando, por que o bem estar do Henrique era tudo o que me preocupava. E ele era um garotinho extremamente feliz com a fantasia de família que havíamos construído.
Em 3 anos passamos de marido e mulher, à cão e gato. Tudo o que eu fazia era motivo pra que uma discussão infindável e recheada de lamúrias começasse. O simples fato de não levantar a tampa da privada podia gerar uma guerra nuclear sob nosso teto e, do meu lado, a compreensão também não dava as caras. O jantar nunca estava bom o suficiente, não importa o quanto ela houvesse trabalhado nele. Minhas roupas sempre estavam mal passadas, ainda que não apresentassem vinco algum.
Como era de se esperar, pouco depois do Henrique completar 4 anos, veio o divórcio. Já que havíamos casado sem separação de bens, minha mulher levou boa parte do meu dinheiro, da minha paciência e também a guarda do nosso filho.
Claro, haviam as benevolentes visitas e os eventuais finais de semana pra que eu pudesse exercer minha paternidade. Mas, além da pensão, parecia que não havia nada que eu pudesse oferecer que fosse satisfatório pra ela. As vezes me perguntava pra onde aquela paixão colegial havia ido. Ou quando havia se tornado ódio. Nunca encontrei a resposta e – eventualmente – também parei de procurar.
Hoje em dia sou um cara na casa dos trinta, divorciado, pai aprendiz, com algum dinheiro e uma tímida, porém promissora, calvície em desenvolvimento. Definitivamente, minha vida não vem saindo como eu planejei. Mas acho que ainda existe tempo pra fazer alguma coisa com ela. E no momento, o que eu realmente quero fazer é beber um cafezinho quente, bem aqui, na minha insossa e pequena mesa de chefe.
25.8.09
Survivor man.
-------------------
Ontem eu fui ao mercado comprar alguns itens de sobrevivência básicos. O tipo de coisa as quais se deve o sucesso da humanidade: comida congelada, refrigerante e papel higiênico.
Foi durante essa experiência quase selvagem que eu percebi o quão perigosos esses ambientes podem ser. Quero dizer, em mãos despreparadas, uma simples ida ao supermercado pode se transformar em caos. Esqueça os cassinos, os bingos, os caça-níqueis. A verdadeira perdição financeira se encontra entre as gôndolas do Pão de Açúcar.
Isso porque tudo naquele lugar é montado especialmente pra te induzir ao consumismo. São corredores e mais corredores cujo destino final é sempre a sua carteira. Eles – os inimigos – querem que você gaste seu parco e suado dinheiro comprando coisas que nem ao menos precisa, como naqueles programas de venda que passam de madrugada.
E eu sei, amigo leitor, que em algum momento de sua triste vida, você já se perguntou como é que conseguiu existir até hoje sem um SUPER JUICER ULTRAMIX COM 12 VELOCIDADES, CÂMBIO AUTOMÁTICO, ABAS PROTETORAS, RÁDIO AM/FM E CHEIRINHO DE CHICLETE.
Pode parecer exagero, mas vivemos num mundo cuidadosamente criado pra nos manipular. Em apenas um semestre de faculdade, durante as forçadas aulas de Publicidade que uma aspirante à jornalista deve assistir, pude presenciar a forma maligna como a mente destes seres funciona.
Quando você pega uma inocente, e até simpática, garrafinha de Danone, você não está pegando uma inocente e simpática garrafinha de Danone. Você está pegando o resultado de anos de pesquisa e estudos meticulosos sobre o funcionamento da sua mente e tudo o que poderá influenciar na escolha do Danone mais simpático. Você, basicamente, está comprando o filho bastardo e capitalista de Satã, com pedacinhos de morango.
Pra ilustrar o desesperado apelo publicitário a tudo que possa ser minimamente atrativo ao consumidor, digo que certa vez estava fazendo compras, quando me deparei com um papel higiênico que trazia em sua embalagem as inscrições “mais macio, mais suave e com cheirinho de bebê”.
Claro, porque afinal todos nós sabemos que a sensação de limpar a bunda com um recém-nascido é simplesmente boa demais pra não ser reproduzida num papel higiênico, certo?
Resumindo, você deve estar se perguntando onde eu quero chegar com tudo isso.
Eu quero chegar no definitivo guia de sobrevivência no supermercado, e salvar bolsos com ele. Quero ensinar a todos vocês como se portar dentro desses antros de perdição e voltar pra casa sem precisar penhorar a própria virgindade pra pagar a conta. E acima de tudo, quero fazer um post decente pra um blog novato.
Portanto, peguem papel e caneta: a aula vai começar.
Primeira lição:
Ao ir num supermercado, tenha clara a razão pela qual você saiu de casa em primeiro lugar. Faça uma lista e obrigue-se à segui-la, nem que pra isso seja necessário levar junto uma INSPETORA DE COLÉGIO pra te vigiar. É comum encontrar armadilhas dentro das seções como, por exemplo, rolinhos tira-pêlos pendurados cuidadosamente ao lado das rações para gato. Você não precisa daquilo: se você não pode lidar com roupas peludas, não arranje um gato pra começo de conversa.
Segunda lição:
Ao chegar no templo do consumismo, tenha foco. Nada de analisar mercadorias que não constam nas suas prioridades. Nesse momento, mulheres devem engolir seus cromossomos X e pensar feito homens: você não vê homens estudando a consistência de kiwis maduros, quando eles precisam de tomates. Homens simplesmente não ligam a mínima pros kiwis, caso existam tomates no mercado. É claro que o exemplo perde efeito se estivermos falando de acessórios automotivos ou putaria, mas a lição permanece; se você perde muito tempo olhando para uma coisa é bem provável que acabe encontrando alguma razão estúpida o suficiente pra comprá-la.
Terceira lição:
Seja mesquinho: centavos fazem diferença.
Faz parte da tática maldosa do inimigo, ludibriar os consumidores com preços “quebrados”. Dizendo que alguma porcaria custa R$ 99,90, eles distraem nosso cérebro do fato de que aquela porcaria custa, na verdade, 100 reais – quantia já ofensiva pra qualquer coisa que não seja eletrônica ou ilegal.
Quarta lição:
Nunca leve crianças pro mercado.
Deus inventou a TV à cabo por uma razão, e foi pra distrair seus filhos enquanto você vai às compras. Porque, acredite: qualquer um seria capaz de comprar uma ogiva nuclear só pra interromper o mantra de “EU QUEROOOOOO” que esses pequenos carrascos sabem entoar.
Quinta Lição:
A ultima, porém não menos importante, lição para deixar um supermercado em condições normais de sanidade e segurança, diz respeito ao caixa. Este é o único momento em que os grandes lojistas não estão tentando te induzir somente ao erro: eles estão te induzindo à loucura também. Isso porque não existe outra definição pro sentimento que nos invade sempre que a velhinha da frente tem a GENIAL IDÉIA de pagar suas compras com ticket/cheque/cartão/bala-de-goma, ou qualquer outra maldição que atrase todo o processo em, no mínimo, meia hora. Não esquecendo que outra meia hora será gasta pra embalar cuidadosamente cada uma de suas mercadorias.
Infelizmente, não há nada que nós – mortais – possamos fazer a respeito, sem que terminemos a noite numa cela de cadeia. E o inimigo sabe disso.
É por essa razão que eles cercam a fila do caixa com revistas, salgadinhos, barras de chocolate e qualquer outra coisa que faça a espera menos dolorosa. Eles não estão sendo generosos ao tirar sua cabeça daquele purgatório linear, caro leitor: eles querem te vender distração. Uma mente incauta pode acabar se convencendo de que realmente precisa saber o que o MAX DO BBB tatuou no cóccix, ou como funciona a dieta do pardal manco e acabar comprando uma revista que, na melhor das hipóteses, não serviria nem pra bater na bunda do seu cachorro. Não caia nessa. Foque na saída e pense positivo: você está a um passo da liberdade e não vai estragar tudo agora.
Seguindo estes simples e eficazes passos, você evitará que seu bolso seja cruelmente violentado e economizara algum dinheiro pra coisas verdadeiramente importantes, como a mensalidade da carteirinha do seu time, ou uma escova progressiva no fim do mês.
E lembre-se: ainda que essas regras não te deixem mais rico, pelo menos deixam eles um pouco mais pobres.
Ontem eu fui ao mercado comprar alguns itens de sobrevivência básicos. O tipo de coisa as quais se deve o sucesso da humanidade: comida congelada, refrigerante e papel higiênico.
Foi durante essa experiência quase selvagem que eu percebi o quão perigosos esses ambientes podem ser. Quero dizer, em mãos despreparadas, uma simples ida ao supermercado pode se transformar em caos. Esqueça os cassinos, os bingos, os caça-níqueis. A verdadeira perdição financeira se encontra entre as gôndolas do Pão de Açúcar.
Isso porque tudo naquele lugar é montado especialmente pra te induzir ao consumismo. São corredores e mais corredores cujo destino final é sempre a sua carteira. Eles – os inimigos – querem que você gaste seu parco e suado dinheiro comprando coisas que nem ao menos precisa, como naqueles programas de venda que passam de madrugada.
E eu sei, amigo leitor, que em algum momento de sua triste vida, você já se perguntou como é que conseguiu existir até hoje sem um SUPER JUICER ULTRAMIX COM 12 VELOCIDADES, CÂMBIO AUTOMÁTICO, ABAS PROTETORAS, RÁDIO AM/FM E CHEIRINHO DE CHICLETE.
Pode parecer exagero, mas vivemos num mundo cuidadosamente criado pra nos manipular. Em apenas um semestre de faculdade, durante as forçadas aulas de Publicidade que uma aspirante à jornalista deve assistir, pude presenciar a forma maligna como a mente destes seres funciona.
Quando você pega uma inocente, e até simpática, garrafinha de Danone, você não está pegando uma inocente e simpática garrafinha de Danone. Você está pegando o resultado de anos de pesquisa e estudos meticulosos sobre o funcionamento da sua mente e tudo o que poderá influenciar na escolha do Danone mais simpático. Você, basicamente, está comprando o filho bastardo e capitalista de Satã, com pedacinhos de morango.
Pra ilustrar o desesperado apelo publicitário a tudo que possa ser minimamente atrativo ao consumidor, digo que certa vez estava fazendo compras, quando me deparei com um papel higiênico que trazia em sua embalagem as inscrições “mais macio, mais suave e com cheirinho de bebê”.
Claro, porque afinal todos nós sabemos que a sensação de limpar a bunda com um recém-nascido é simplesmente boa demais pra não ser reproduzida num papel higiênico, certo?
Resumindo, você deve estar se perguntando onde eu quero chegar com tudo isso.
Eu quero chegar no definitivo guia de sobrevivência no supermercado, e salvar bolsos com ele. Quero ensinar a todos vocês como se portar dentro desses antros de perdição e voltar pra casa sem precisar penhorar a própria virgindade pra pagar a conta. E acima de tudo, quero fazer um post decente pra um blog novato.
Portanto, peguem papel e caneta: a aula vai começar.
Primeira lição:
Ao ir num supermercado, tenha clara a razão pela qual você saiu de casa em primeiro lugar. Faça uma lista e obrigue-se à segui-la, nem que pra isso seja necessário levar junto uma INSPETORA DE COLÉGIO pra te vigiar. É comum encontrar armadilhas dentro das seções como, por exemplo, rolinhos tira-pêlos pendurados cuidadosamente ao lado das rações para gato. Você não precisa daquilo: se você não pode lidar com roupas peludas, não arranje um gato pra começo de conversa.
Segunda lição:
Ao chegar no templo do consumismo, tenha foco. Nada de analisar mercadorias que não constam nas suas prioridades. Nesse momento, mulheres devem engolir seus cromossomos X e pensar feito homens: você não vê homens estudando a consistência de kiwis maduros, quando eles precisam de tomates. Homens simplesmente não ligam a mínima pros kiwis, caso existam tomates no mercado. É claro que o exemplo perde efeito se estivermos falando de acessórios automotivos ou putaria, mas a lição permanece; se você perde muito tempo olhando para uma coisa é bem provável que acabe encontrando alguma razão estúpida o suficiente pra comprá-la.
Terceira lição:
Seja mesquinho: centavos fazem diferença.
Faz parte da tática maldosa do inimigo, ludibriar os consumidores com preços “quebrados”. Dizendo que alguma porcaria custa R$ 99,90, eles distraem nosso cérebro do fato de que aquela porcaria custa, na verdade, 100 reais – quantia já ofensiva pra qualquer coisa que não seja eletrônica ou ilegal.
Quarta lição:
Nunca leve crianças pro mercado.
Deus inventou a TV à cabo por uma razão, e foi pra distrair seus filhos enquanto você vai às compras. Porque, acredite: qualquer um seria capaz de comprar uma ogiva nuclear só pra interromper o mantra de “EU QUEROOOOOO” que esses pequenos carrascos sabem entoar.
Quinta Lição:
A ultima, porém não menos importante, lição para deixar um supermercado em condições normais de sanidade e segurança, diz respeito ao caixa. Este é o único momento em que os grandes lojistas não estão tentando te induzir somente ao erro: eles estão te induzindo à loucura também. Isso porque não existe outra definição pro sentimento que nos invade sempre que a velhinha da frente tem a GENIAL IDÉIA de pagar suas compras com ticket/cheque/cartão/bala-de-goma, ou qualquer outra maldição que atrase todo o processo em, no mínimo, meia hora. Não esquecendo que outra meia hora será gasta pra embalar cuidadosamente cada uma de suas mercadorias.
Infelizmente, não há nada que nós – mortais – possamos fazer a respeito, sem que terminemos a noite numa cela de cadeia. E o inimigo sabe disso.
É por essa razão que eles cercam a fila do caixa com revistas, salgadinhos, barras de chocolate e qualquer outra coisa que faça a espera menos dolorosa. Eles não estão sendo generosos ao tirar sua cabeça daquele purgatório linear, caro leitor: eles querem te vender distração. Uma mente incauta pode acabar se convencendo de que realmente precisa saber o que o MAX DO BBB tatuou no cóccix, ou como funciona a dieta do pardal manco e acabar comprando uma revista que, na melhor das hipóteses, não serviria nem pra bater na bunda do seu cachorro. Não caia nessa. Foque na saída e pense positivo: você está a um passo da liberdade e não vai estragar tudo agora.
Seguindo estes simples e eficazes passos, você evitará que seu bolso seja cruelmente violentado e economizara algum dinheiro pra coisas verdadeiramente importantes, como a mensalidade da carteirinha do seu time, ou uma escova progressiva no fim do mês.
E lembre-se: ainda que essas regras não te deixem mais rico, pelo menos deixam eles um pouco mais pobres.
Let´s the games begin.
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Primeiro post é como a primeira vez: você pensa durante duas horas, faz em 10 minutos e geralmente não é tudo aquilo que você esperava.
Primeiro post é como a primeira vez: você pensa durante duas horas, faz em 10 minutos e geralmente não é tudo aquilo que você esperava.
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