20.10.09

Juramento de "Hipócritas"

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Se você tem um plano de saúde, já deve ter percebido que – como sempre acontece com planos – ele nunca funciona.

Tente marcar uma consulta e comprove que poucas coisas são tão irritantes quanto a indisponibilidade médica, a falta de boa vontade por parte das secretárias e a ineficácia no seu diagnóstico.

Já começa pelo maldito guia. Lá existem milhares de nomes, cujos quais você nunca ouviu na vida, e é dentre eles que você deve sortear o ser humano ao qual irá entregar sua saúde. E depois ainda falam em “roleta russa”.

O único e mais plausível critério pra selecionar o profissional é a proximidade entre ele e a sua casa. Isso sem contar a simpatia pela graça do sujeito: acabamos rejeitando Rodrigos por que parecem muito novos, Felisbertos porque parecem muito velhos, ZunChuLis porque são muito chineses e Ronaldos porque são muito corintianos (licença poética aqui).

Depois de fechar os olhos e apontar aleatoriamente a pessoa que vai ser responsável pela continuidade da sua vida neste mundo (e de esperar aproximadamente dois ciclos lunares por um horário vago) é chegado o momento de ir ao consultório e saber em qual boca de porco você se enfiou.

Geralmente a sala de espera já é um bom termômetro do que te aguarda no consultório. Certos proctologistas, por exemplo, são bastante coerentes: o atendimento da secretária é uma merda e você já toma no cu quando a consulta atrasa em mais de uma hora.

Com sorte, o açougueiro… quero dizer, o médico, vai analisar seu caso de forma superficial, dando eventuais olhadelas pro seu rosto, enquanto digita freneticamente alguma coisa no computador. Você acha que ele está registrando seu histórico médico, eu acho que ele está no Chat da Uol dizendo que a mãe de alguém tem pêlo na teta. Mas isso é uma opinião pessoal, claro.

Por fim, quando você acredita que finalmente resolveu seus problemas, porque o Doutor receitou uma pomada e 3 comprimidos, fica sabendo do famoso “retorno”. Repare, caro leitor, que ele nunca acontece antes de 30 dias. E isso tem uma explicação simples: os planos de saúde só autorizam o pagamento aos médicos por consultas feitas num intervalo mínimo de um mês.

Entendeu a sacanagem?

Isso significa que não importa se o remédio que te receitaram só precisa de 15 dias pra fazer efeito ou se o médico já pode avaliar a sua melhora em menos tempo. Você só vai colocar suas patas assalariadas dentro do consultório outra vez, quando a secretária puder passar seu cartão na máquina e rechear os bolsos do dotô.

É por essas e outras que, quando me falam em saúde pública, SUS e todas essas siglas que traduzem o atendimento vagabundo oferecido pelo governo, eu fico pensando se aqueles que pagam a mais por algum tipo de “privilégio” – se é que ter um tratamento decente pode ser considerado privilégio – está mesmo com a vantagem, ou só está mudando o endereço da carteira pra onde vai o dinheiro que lhe afanaram.

Me desculpem mas, quando o assunto é saúde, eu ainda sou mais a receita de chá da minha avó....