Se você tem um plano de saúde, já deve ter percebido que – como sempre acontece com planos – ele nunca funciona.
Tente marcar uma consulta e comprove que poucas coisas são tão irritantes quanto a indisponibilidade médica, a falta de boa vontade por parte das secretárias e a ineficácia no seu diagnóstico.
Já começa pelo maldito guia. Lá existem milhares de nomes, cujos quais você nunca ouviu na vida, e é dentre eles que você deve sortear o ser humano ao qual irá entregar sua saúde. E depois ainda falam em “roleta russa”.
O único e mais plausível critério pra selecionar o profissional é a proximidade entre ele e a sua casa. Isso sem contar a simpatia pela graça do sujeito: acabamos rejeitando Rodrigos por que parecem muito novos, Felisbertos porque parecem muito velhos, ZunChuLis porque são muito chineses e Ronaldos porque são muito corintianos (licença poética aqui).
Depois de fechar os olhos e apontar aleatoriamente a pessoa que vai ser responsável pela continuidade da sua vida neste mundo (e de esperar aproximadamente dois ciclos lunares por um horário vago) é chegado o momento de ir ao consultório e saber em qual boca de porco você se enfiou.
Geralmente a sala de espera já é um bom termômetro do que te aguarda no consultório. Certos proctologistas, por exemplo, são bastante coerentes: o atendimento da secretária é uma merda e você já toma no cu quando a consulta atrasa em mais de uma hora.
Com sorte, o
Por fim, quando você acredita que finalmente resolveu seus problemas, porque o Doutor receitou uma pomada e 3 comprimidos, fica sabendo do famoso “retorno”. Repare, caro leitor, que ele nunca acontece antes de 30 dias. E isso tem uma explicação simples: os planos de saúde só autorizam o pagamento aos médicos por consultas feitas num intervalo mínimo de um mês.
Entendeu a sacanagem?
Isso significa que não importa se o remédio que te receitaram só precisa de 15 dias pra fazer efeito ou se o médico já pode avaliar a sua melhora em menos tempo. Você só vai colocar suas patas assalariadas dentro do consultório outra vez, quando a secretária puder passar seu cartão na máquina e rechear os bolsos do dotô.
É por essas e outras que, quando me falam em saúde pública, SUS e todas essas siglas que traduzem o atendimento vagabundo oferecido pelo governo, eu fico pensando se aqueles que pagam a mais por algum tipo de “privilégio” – se é que ter um tratamento decente pode ser considerado privilégio – está mesmo com a vantagem, ou só está mudando o endereço da carteira pra onde vai o dinheiro que lhe afanaram.
Me desculpem mas, quando o assunto é saúde, eu ainda sou mais a receita de chá da minha avó....
