19.10.09

Eles tinham razão.

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Ademar era agente imobiliário. Sozinho, vivera sob as rédeas de uma família supersticiosa durante a infância e adolescência. Fosse por cultura ou falta de argumentos melhores, aprendeu as boas maneiras através de histórias fantásticas: o homem do saco, o boi da cara preta, a cuca que vinha pegar. Depois eram espelhos que se quebravam, o gato preto da vizinha e seus olhos de fogo, as escadas sob as quais não se podia passar.

Quando cresceu, saiu de casa e ganhou independência sobre suas convicções. Tornara-se ateu: nem o céu, nem o inferno o esperavam na morte e por hora ganhava a vida vendendo sonhos que seu salário não podia comprar. O único conforto era culpar a própria incapacidade pelo fiasco de seu destino. Até o dia em que, após receber o triste e magro 13 salário, encontrou um homem na volta pra casa. Armado, tatuagens pelo corpo, olhos febris. Queria o dinheiro que Ademar não lhe daria. Gritos, e de repente a noite se fez vermelha: um corpo, três tiros. E a única verdade que ecoava na morte: pelo menos o número 13 não lhe trouxera mesmo nenhuma sorte.