21.10.09

Antes da hora.

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Fábio era prematuro. Pesava pouco mais de 1 quilo quando nasceu. A mãe, já passando dos 35, não tivera a gravidez tranqüila que merecia. Da sala de parto o menino foi levado à incubadora, onde ficou por treze dias sob o olhar descrente de médicos e enfermeiras. Uma infecção respiratória, por fim, colocou um ponto à vida que mal começara. Lágrimas de uma família incompleta rolaram pelo pequeno que, saberia-se depois, não partiria tão facilmente. Primeiro vieram os choros infantes durante a noite e os brinquedos que caiam no quartinho vazio. Depois a depressão da mãe que, uma semana após, não dormia ou se alimentava. Perdera a sanidade, pensavam. Na segunda semana, perdeu também a saúde: acamou-se por doença desconhecida. No décimo segundo dia, ninava com braços fracos um corpo que não se via: dizia estar finalmente embalando o filho querido. No raiar do décimo terceiro, seus olhos distantes encontraram a morte. Pois, assim como a criança que gerou, também ela não estava preparada para as cruezas deste mundo.