20.10.09

Love hurts.

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Ah, o amor.

Existe no mundo coisa mais bela e sublime do que este sentimento que nos furta toda lógica, racionalidade, senso do ridículo, instinto de preservação e dígitos do saldo bancário?

Claro que existe. Coisa pracaralho, inclusive.

Mas não pense que sou uma pessoa amarga, que repudia o romantismo e todas as juras eternas que o acompanham, só por admitir isso. Bem pelo contrário: eu gosto de Matrix, sou fã de uma boa ficção e acho até que toda essa coisa de “alma gêmea” é um conceito interessante. Quero dizer, graças a isso foram feitos alguns dos melhores livros e filmes que conhecemos.

Só que, verdade seja dita, eles nunca superam os subprodutos do pé na bunda.

Não existe inspiração nesse universo que tenha gerado mais arte do que o amor que sai pela culatra. Sejamos honestos; se você já foi passado pra trás, sabe que não há nada como um belo corno para despertar o artista esquecido. Músicas, poemas, quadros, origami, bonecos de vodu, tudo isso desabrocha tão logo percebemos que o “eu te amo” virou “vá se foder”.

Aliás, é um caso de estudo. Não conheço nada nesta dimensão que transmute com mais velocidade que o amor. Ele vira ódio antes que o Super-Homem consiga sequer pensar em vestir suas ceroulas vermelhas, numa cabine telefônica.

Pergunta pra Alanis Morissete. Dá até pra ver uma veia saltando na testa dela, enquanto escrevia a letra de You Oughta Know:


Did you forget about me, Mr. Duplicity?
I hate to bug you in the middle of dinner.
It was a slap in the face how quickly I was replaced
Are you thinking of me when you fuck her?


(…)


And I'm not gonna fade,
as soon as you close your eyes, and you know it.
And every time I scratch my nails down someone else's back
I hope you feel it...well can you feel it?


E estes são só os trechos revoltados. O resto da música contém ironia o suficiente pra matar um humorista inglês:


An older version of me,
Is she perverted like me?
Would she go down on you in a theatre?
Does she speak eloquently?
And would she have your baby?
I'm sure she'd make a really excellent mother.


Claro, a tia Alanis não soube lidar lá muito sutilmente com a perda. Existem pessoas que são um pouco mais cool nesse quesito. Tipo o Phil Collins, que ao invés de mandar a outra pessoa enfiar uma granada sem pino no rabo, optou pela linha “não to ligando de ter sido mais avacalhado que a Vanusa cantando o hino” :


Well, I dont care now what you say,
cuz every day Im feeling fine with myself.
And I dont care now what you say.
Hey, Ill do alright by myself.


(…)


And I really aint bothered what you think of me,
cos all I want of you is just a let me be (…)
I dont care what you say,
I never did believe you much anyway.


Basicamente o cara tá dizendo que cagou litros pro rompimento e que nem tava tão afim, mesmo. Sabe, né? A velha mentira descarada que todo mundo conta pra tentar se convencer de que a coisa não é tão ruim. Seria o equivalente sentimental àquela criança que perde três dentes de leite no balanço, e depois sai dizendo que “nem doeu”.

E estes são apenas dois exemplos. A lista teria quilômetros se eu entrasse no repertório sertanejo, e estratosférica se entrássemos nas composições emo que contagiaram o mundo feito uma pandemia de gripe.

Mas só pra não dizerem que me falta patriotismo, uma palavrinha de Waldick Soriano sobre o tema:



Tu não sabes compreender

Quem te ama, quem te adora
Tu só sabes maltratar-me
E por isso eu vou embora.

A pior coisa do mundo
É amar sendo enganado
Quem despreza um grande amor
Não merece ser feliz, nem tão pouco ser amado.



Reparou que o sujeito faz o tipo “vou dar um pé, antes de levar”, né?

Isso raramente dá certo, porque no fundo você sabe que não ter sido oficialmente chutado foi mais uma questão de tática, que de merecimento. Sua bunda já tava na mira faz tempo.

E pra encerrar, seria uma heresia não fechar o post citando a musica que melhor descreve o fundo do poço pra onde o toco te arrasta. O hino preso na garganta de todo mundo que já percebeu o quão deliciosamente filho da puta um grande amor pode ser.

Senhoras e senhores, se algum dia vocês encheram a cara pra esquecer um pé na bunda, é hora de dizer:





Porque, se o amor criou Romeu e Julieta, o pé na bunda nos deu Reginaldo Rossi e seu cabelo Assolan.
E depois disso, filhote....  não tem como torcer pra sermos felizes para sempre, tem?  =P