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O fim do ano tá chegando, a cidade está cheia de luzes coloridas e na tevê o Zezé di Camargo já canta musicas natalinas sob o slogan da Marabraz.
Com 2010 tão iminente é quase impossível evitar de fazer planos pros próximos 365 dias, muito embora saibamos que metade deles não vai sair do papel. Mas isso não importa, por que esse é o único período das nossas vidas em que nos permitimos ter esperança.
E é aquela esperança irracional, sabe? Que não se baseia em nada além do otimismo, como quando prometemos aprender dois novos idiomas, a despeito de não conseguirmos sequer conjugar um verbo no particípio.
É a época em que nos lembramos de como as coisas são potencialmente bonitas. De como meia dúzia de lâmpadas podem tornar etérea a figura de um prédio cinza, ou de como a história de um garoto numa manjedoura pode dar sentido às nossas vidas.
Na verdade, o fim do ano serve pra que o mundo pare e perceba tudo o que nos é normalmente invisível, como o sofrimento alheio. A gente experimenta a empatia quase pela primeira vez. E não é à toa que tantos de nós não gostam do Natal: é estranho entrar em contato com todos os sentimentos que o dia-a-dia forçosamente coloca no automático.
Eu tenho 23 anos de vida e posso, felizmente, agradecer por cada um deles. Nunca fui despedaçada pelo mundo ao meu redor, como muitos foram. Tenho ao meu lado as pessoas mais incríveis do universo, e dentro de mim o amor que move montanhas. Não guardo no coração nenhum sentimento nocivo e as poucas amarguras que insistem em aparecer são facilmente expulsas com um abraço apertado ou uma palavra carinhosa.
Carrego comigo a gratidão pela família que tenho e pelo que fazem por mim. Por ter um anjo ao meu lado que, com asas invisíveis, chamo de mãe. Por ter errado muitas vezes e aprendido com os erros. E, acima de tudo, agradeço por ter uma fé inabalável num futuro tão bom quanto o presente.
Neste fim de ano, ao fazer aquela clássica retrospectiva, percebi que não importa o que tenha acontecido nos últimos 12 meses: a única verdade é que eu posso e sou uma pessoa muito feliz. Inclusive por ter a chance de notar isso.
Não sei se ainda posto alguma outra coisa antes do Reveillon, mas caso isso não aconteça, deixo desde já meus votos de paz e amor pra todos vocês, minha meia dúzia de leitores nerds. Que todos consigam fazer de 2010 um ano de alegrias e superações, por que essa é a chave da vida.
E sejamos felizes, pois é tudo que devemos a nós mesmos.
Um beijão e fiquem com Deus. =)
18.12.09
15.12.09
Da Série: FIKDIK (II)
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Se você já ouviu falar de Nick Cave, sabe que o sujeito é um pouco, ahn…. excêntrico. E isso já ficaria evidente, ainda se ele não fizesse mais nada além de usar aquele penteado aerodinâmico, tirado de algum filme ruim dos anos 80 e mantido até hoje.
Agora, se você é como a maioria e nem imagina quem seja a figura em questão, permita-me alguns esclarecimentos: Nick Cave é um artista australiano, de 52 anos, notoriamente conhecido por suas canções pesadas e sombrias. O cara baila entre religião, morte, amor e ódio em suas letras, entoando cada palavra com uma voz que faria Leonard Cohen correr para os braços da mãe.
Em 1984 ele fundou, junto com um amigo de longa data, a banda “The Bad Seeds” (nome retirado de um filme e outra das incontáveis referências presentes em seus trabalhos) com a qual se tornou mais conhecido do grande público, fazendo inclusive parcerias com gente como PJ Harvey e Kilye Minogue.
Mas o talento alternativo do moço não fica só nas notas musicais e se estende também para a literatura e cinema. Ele já publicou o livro “And the ass saw the Angel” – com uma temática tão sombria quanto o próprio autor - , além de escrever o roteiro de “Ghosts… of the civil dead”, lançado em 1989.
Falar de Nick Cave é se embrenhar numa mata tão densa que fica fácil se perder. Então para evitar que o post se torne muito técnico, vamos partir direto pras recomendações mais interessantes, principalmente se você está conhecendo o Sr. Caverna agora:
- Murder Ballads (1996): a primeira vez que eu escutei este CD, precisei de uns 40 minutos até assimilar toda a complexidade da coisa. São 10 faixas, cada uma delas narrando um crime diferente, seja pelos olhos da vítima ou do criminoso, com uma riqueza de detalhes aterradora. Sem duvida o trabalho ganha mais significado quando o ouvinte entende inglês ou tem acesso à tradução das letras, porque só assim se percebe a grandeza do que Nick fez naquelas canções. O cara praticamente transformou merda em ouro ao escrever coisas como "Song of Joy", onde um homem narra a vida e morte de sua mulher e três filhas, pelas mãos de um maníaco que invadiu sua casa durante a noite. A voz gutural de Cave e a interpretação certa de cada momento, fazem com que a música arrepie todos os poros do seu corpo. Quando ouvi pela primeira vez, durante uma madrugada insone, terminei o terceiro play consecutivo agarrada aos fones de ouvido, como um gato prestes a tomar banho, consumindo eufórica toda a morbidez da letra. Outros destaques do CD ficam por conta das participações especiais da inglesa ( e possível rolo de Mr. Cave ) Pj Harvey, em "Henry Lee", e de Kilye Minogue numa lúgubre e romântica "Where the wild roses grow".
"Was it an act of contrition or some awful premonition,
As if she saw into the heart of her final blood-soaked night.
Those lunatic eyes, that hungry kitchen knife….
Ah, I see sir, that I have your attention!
Well, could it be?”
(trecho de Song of Joy - Murder Ballads/1996)
-------------------
Se a essa altura você já está achando Nick Cave um degenerado filho de Satã, calma lá. Não é só porque 89% do que o cara faz versa sobre estripações e chacinas, que ele não possa ter alguns momentos de sensibilidade na vida. Foi isso que aconteceu, por exemplo, quando Nick escreveu as duas proximas indicações do post:
Into My Arms (The Boatman´s Call - 1997)
Into my Arms tem, possivelmente, uma das mais belas e tocantes letras que eu já vi. Segundo o próprio Cave, a inspiração pra compor essa belezinha veio enquanto ele estava dentro de uma capela, dessas de interior, sem pensar em nada. Porque é assim que acontece com os gênios, né? A idéia simplesmente ATACA seus neurônios de uma hora pra outra. Enfim, o resultado foram palavras capazes de conquistar até a mais cascuda das donzelas, fazendo-a esquecer que o sujeito é feio pracaraleo.
"Eu não acredito na existência de um Deus intervencionista,
Mas eu sei, querida, que você acredita.
E se eu acreditasse, me ajoelharia diante Dele
E pediria para que não interviesse sobre você
Não tocasse em um fio do seu cabelo
E que se fosse necessário te guiar
Que lhe guiasse para os meus braços.
Para os meus braços, ó Senhor...
E eu não acredito na existência de anjos,
Mas olhando para você, me pergunto se não seria verdade.
E se eu acreditasse, convocaria a todos e pediria
Para que olhassem por você.
Para que cada um acendesse uma vela e clareassem seus caminhos
E te levassem, como a Cristo, por entre graças e amor
Até meus braços.
Até meus braços, ó Senhor...
Mas eu acredito no amor,
E sei, querida, que você também.
E eu acredito em alguma espécie de direção
Que ambos podemos seguir, eu e você.
Então mantenha sua vela queimando
E faça o caminho claro e puro
Para que possamos voltar sempre
E para sempre... "
***
- The Ship Song (Single - 1990)
Eu não sei exatamente porque gosto tanto dessa música. Claro que a melodia é linda e a letra também tem trechos arrebatadores, mas.... talvez o que mais agrade seja a delicadeza inesperada que a voz de Cave passa enquanto caminha pelas palavras. É de uma maciez impensada para alguém como ele. É simples e direta, como as notas certeiras no piano quase etéreo. Sei lá.... Ship Song me pega pelos calcanhares e, com sorte, também vai pegar você.
"Venha navegar ao meu redor
E queime todas as suas pontes
Nós fazemos um pouco de história, querida
Cada vez que você está por perto.
Solte seus cachorros em mim
E deixe seus cabelos se soltarem.
Você é um pequeno mistério para mim
Sempre que está por perto.
Nós conversamos durante toda a noite,
nós definimos nossa moral,
Mas quando me arrasto para seus braços
Todo o resto desmorona.
Seu rosto está triste agora
Pois você sabe que o momento está chegando
Quando eu preciso arrancar suas asas
E você precisa tentar voar.
Você é um pequeno mistério para mim..."
---------------------
Se você se interessou em conhecer mais sobre Nick Cave, ou simplesmente não tem nada mais útil pra fazer no momento, aí abaixo está o link de onde você pode baixar o Murder Ballads inteiro. No mesmo site também dá pra achar as outras duas musicas citadas, é só fuçar. E eu sei que você sabe se virar no 4shared, leitor nerd do meu coração.
http://search.4shared.com/network/search.jsp?sortType=1&sortOrder=1&sortmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchDescription=&searchExtention=&sizeCriteria=atleast&sizevalue=10&start=0
Bora lá e se esforcem pra enxergar no tio Cave mais coisas além de um cabelo sofrível e possível depressão crônica. =)
Se você já ouviu falar de Nick Cave, sabe que o sujeito é um pouco, ahn…. excêntrico. E isso já ficaria evidente, ainda se ele não fizesse mais nada além de usar aquele penteado aerodinâmico, tirado de algum filme ruim dos anos 80 e mantido até hoje.
Agora, se você é como a maioria e nem imagina quem seja a figura em questão, permita-me alguns esclarecimentos: Nick Cave é um artista australiano, de 52 anos, notoriamente conhecido por suas canções pesadas e sombrias. O cara baila entre religião, morte, amor e ódio em suas letras, entoando cada palavra com uma voz que faria Leonard Cohen correr para os braços da mãe.
Em 1984 ele fundou, junto com um amigo de longa data, a banda “The Bad Seeds” (nome retirado de um filme e outra das incontáveis referências presentes em seus trabalhos) com a qual se tornou mais conhecido do grande público, fazendo inclusive parcerias com gente como PJ Harvey e Kilye Minogue.
Mas o talento alternativo do moço não fica só nas notas musicais e se estende também para a literatura e cinema. Ele já publicou o livro “And the ass saw the Angel” – com uma temática tão sombria quanto o próprio autor - , além de escrever o roteiro de “Ghosts… of the civil dead”, lançado em 1989.
Falar de Nick Cave é se embrenhar numa mata tão densa que fica fácil se perder. Então para evitar que o post se torne muito técnico, vamos partir direto pras recomendações mais interessantes, principalmente se você está conhecendo o Sr. Caverna agora:
- Murder Ballads (1996): a primeira vez que eu escutei este CD, precisei de uns 40 minutos até assimilar toda a complexidade da coisa. São 10 faixas, cada uma delas narrando um crime diferente, seja pelos olhos da vítima ou do criminoso, com uma riqueza de detalhes aterradora. Sem duvida o trabalho ganha mais significado quando o ouvinte entende inglês ou tem acesso à tradução das letras, porque só assim se percebe a grandeza do que Nick fez naquelas canções. O cara praticamente transformou merda em ouro ao escrever coisas como "Song of Joy", onde um homem narra a vida e morte de sua mulher e três filhas, pelas mãos de um maníaco que invadiu sua casa durante a noite. A voz gutural de Cave e a interpretação certa de cada momento, fazem com que a música arrepie todos os poros do seu corpo. Quando ouvi pela primeira vez, durante uma madrugada insone, terminei o terceiro play consecutivo agarrada aos fones de ouvido, como um gato prestes a tomar banho, consumindo eufórica toda a morbidez da letra. Outros destaques do CD ficam por conta das participações especiais da inglesa ( e possível rolo de Mr. Cave ) Pj Harvey, em "Henry Lee", e de Kilye Minogue numa lúgubre e romântica "Where the wild roses grow".
"Was it an act of contrition or some awful premonition,
As if she saw into the heart of her final blood-soaked night.
Those lunatic eyes, that hungry kitchen knife….
Ah, I see sir, that I have your attention!
Well, could it be?”
(trecho de Song of Joy - Murder Ballads/1996)
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Se a essa altura você já está achando Nick Cave um degenerado filho de Satã, calma lá. Não é só porque 89% do que o cara faz versa sobre estripações e chacinas, que ele não possa ter alguns momentos de sensibilidade na vida. Foi isso que aconteceu, por exemplo, quando Nick escreveu as duas proximas indicações do post:
Into My Arms (The Boatman´s Call - 1997)
Into my Arms tem, possivelmente, uma das mais belas e tocantes letras que eu já vi. Segundo o próprio Cave, a inspiração pra compor essa belezinha veio enquanto ele estava dentro de uma capela, dessas de interior, sem pensar em nada. Porque é assim que acontece com os gênios, né? A idéia simplesmente ATACA seus neurônios de uma hora pra outra. Enfim, o resultado foram palavras capazes de conquistar até a mais cascuda das donzelas, fazendo-a esquecer que o sujeito é feio pracaraleo.
"Eu não acredito na existência de um Deus intervencionista,
Mas eu sei, querida, que você acredita.
E se eu acreditasse, me ajoelharia diante Dele
E pediria para que não interviesse sobre você
Não tocasse em um fio do seu cabelo
E que se fosse necessário te guiar
Que lhe guiasse para os meus braços.
Para os meus braços, ó Senhor...
E eu não acredito na existência de anjos,
Mas olhando para você, me pergunto se não seria verdade.
E se eu acreditasse, convocaria a todos e pediria
Para que olhassem por você.
Para que cada um acendesse uma vela e clareassem seus caminhos
E te levassem, como a Cristo, por entre graças e amor
Até meus braços.
Até meus braços, ó Senhor...
Mas eu acredito no amor,
E sei, querida, que você também.
E eu acredito em alguma espécie de direção
Que ambos podemos seguir, eu e você.
Então mantenha sua vela queimando
E faça o caminho claro e puro
Para que possamos voltar sempre
E para sempre... "
***
- The Ship Song (Single - 1990)
Eu não sei exatamente porque gosto tanto dessa música. Claro que a melodia é linda e a letra também tem trechos arrebatadores, mas.... talvez o que mais agrade seja a delicadeza inesperada que a voz de Cave passa enquanto caminha pelas palavras. É de uma maciez impensada para alguém como ele. É simples e direta, como as notas certeiras no piano quase etéreo. Sei lá.... Ship Song me pega pelos calcanhares e, com sorte, também vai pegar você.
"Venha navegar ao meu redor
E queime todas as suas pontes
Nós fazemos um pouco de história, querida
Cada vez que você está por perto.
Solte seus cachorros em mim
E deixe seus cabelos se soltarem.
Você é um pequeno mistério para mim
Sempre que está por perto.
Nós conversamos durante toda a noite,
nós definimos nossa moral,
Mas quando me arrasto para seus braços
Todo o resto desmorona.
Seu rosto está triste agora
Pois você sabe que o momento está chegando
Quando eu preciso arrancar suas asas
E você precisa tentar voar.
Você é um pequeno mistério para mim..."
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Se você se interessou em conhecer mais sobre Nick Cave, ou simplesmente não tem nada mais útil pra fazer no momento, aí abaixo está o link de onde você pode baixar o Murder Ballads inteiro. No mesmo site também dá pra achar as outras duas musicas citadas, é só fuçar. E eu sei que você sabe se virar no 4shared, leitor nerd do meu coração.
http://search.4shared.com/network/search.jsp?sortType=1&sortOrder=1&sortmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchDescription=&searchExtention=&sizeCriteria=atleast&sizevalue=10&start=0
Bora lá e se esforcem pra enxergar no tio Cave mais coisas além de um cabelo sofrível e possível depressão crônica. =)
17.11.09
Barbie girl.
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Apesar de ter nascido com um par de cromossomos X ebastante atração pelo sexo oposto, confesso que nunca fui muito chegada à meninices. E por meninices me refiro à tudo aquilo que faz parte do complexo universo feminino: roupa, maquiagem, salto alto, esmalte...
Agora, de cabeça, não consigo me lembrar quando exatamente percebi que essa não era a minha. Mas tenho algumas recordações de, aos 5 ou 6 anos, estar dando pití por que a minha mãe queria me colocar dentro de uma meia-calça. Aquele troço me arrepiava todos os poros: desde a textura estranha, passando pelo fato de ser claustrofóbicamente colada ao corpo, mais o calor que me dava... era o caos.
De lá pra cá, a situação permaneceu bastante parecida. Ainda hoje só tenho duas dessas crias de Lúcifer no armário (para casos de extrema e irrevogável necessidade). E uma delas é arrastão, o que ameniza um pouco o negócio do calor.
Por causa dessa minha ligeira repulsa aos trejeitos femininos, já ouvi muita coisa. A mais frequente é sobre o time que eu jogo, saca? Pessoal tem a intrigante mania de associar falta de frescura à sapatice. Nada contra, eu acho que cada um faz o que bem quiser da vida e da periquita, mas no meu caso a história é outra. Eu não sou avessa à meninices por ser uma forma de exteriorizar um lado masculino da minha personalidade, ou como uma espécie de protesto contra a castrada educação feminina, que prega ideais de beleza inalcançáveis e aprisiona nossa auto-estima em jaulas de cobranças impossíveis.
Eu sou contra meninices simplesmente porque elas são chatas pracaralho!
Vaaaamos, se alguma mulher está lendo isso agora, admita: existe algum minimo prazer em se usar um salto alto, por exemplo? Anatomicamente falando, é uma abominação! O ser humano não foi criado pra caminhar sobre a ponta dos pés, feito um maldito flamingo. Essa porra faz mal!
E não só isso. O que acontece com essa história de CURVEX? Vocês já olharam bem praquilo? Eu poderia apostar que ele é usado como objeto de tortura em algumas culturas. O formato ameaçador, a idéia de que aquilo vai dobrar seus cílios pra cima... os cílios!!!
Honestamente: o quão fodida é uma sociedade que implica até com o grau de curvatura dum pêlodezóio?
You may say I´m a dreamer, but.... tudo o que se pode esperar do mundo, é que ele seja um lugar onde você possa ostentar cílios retos como uma vara de pescar, sem ser torturado por isso.
E saiba, querido homem que está acompanhando este desabafo, que até agora eu peguei leve. Ainda não entrei no mérito daquilo que, eu considero, a mais atroz das práticas femininas: a depilação.
Quem nunca experimentou, não consegue ter noção do que é isso. Não importa a técnica, a bagaça é desumana. Seja arrancando os pelos (maldita reforma ortográfica, quero o acento de volta) da sobrancelha com uma pinça, os da perna com cera fria ou os do rabo com cera quente, a depilação faz você repensar o sentido da vida.
Coloque um terrorista numa sala, com um pote de cera quente de um lado, uma espátula do outro e diga "pois bem, seu Mohammed... tá na hora de fazer a linha do biquini", e o cara te passa o CEP do Bin Laden na hora.
Pode ser impressão, mas parece que tudo o que tange a vaidade feminina vai basicamente contra a vontade da Mãe Natureza. A mulher nasceu peluda? Bora deixar ela pelada. Ela tem o cabelo enrolado? Passem ferro quente nessa merda até alisar. O cabelo nasceu liso? Passem ferro quente nessa merda até enrolar. Ela é branca feito um urso polar? Tranquem-na numa câmara cheia de lâmpadas até ela ficar bem-passada...
É tudo muito perverso pro meu gosto. Claro, eu vivo em sociedade e por mais anarquista que queira ser, também acabo cedendo vez por outra à tais práticas medievais. Mas o mínimo direito a que me reservo é o de fazer tudo isso reclamando. E tem mais: faço somente o estritamente necessário. A não ser quando eu mesma estiver numa vibe masoquista e me propuser a isso, não me venha com essa de "você ficaria linda de salto" ou "que tal um reflexo no cabelo?"
Até porque, se isso significa falta de feminilidade, muito prazer... pode me chamar de ZECÃO.
Apesar de ter nascido com um par de cromossomos X e
Agora, de cabeça, não consigo me lembrar quando exatamente percebi que essa não era a minha. Mas tenho algumas recordações de, aos 5 ou 6 anos, estar dando pití por que a minha mãe queria me colocar dentro de uma meia-calça. Aquele troço me arrepiava todos os poros: desde a textura estranha, passando pelo fato de ser claustrofóbicamente colada ao corpo, mais o calor que me dava... era o caos.
De lá pra cá, a situação permaneceu bastante parecida. Ainda hoje só tenho duas dessas crias de Lúcifer no armário (para casos de extrema e irrevogável necessidade). E uma delas é arrastão, o que ameniza um pouco o negócio do calor.
Por causa dessa minha ligeira repulsa aos trejeitos femininos, já ouvi muita coisa. A mais frequente é sobre o time que eu jogo, saca? Pessoal tem a intrigante mania de associar falta de frescura à sapatice. Nada contra, eu acho que cada um faz o que bem quiser da vida e da periquita, mas no meu caso a história é outra. Eu não sou avessa à meninices por ser uma forma de exteriorizar um lado masculino da minha personalidade, ou como uma espécie de protesto contra a castrada educação feminina, que prega ideais de beleza inalcançáveis e aprisiona nossa auto-estima em jaulas de cobranças impossíveis.
Eu sou contra meninices simplesmente porque elas são chatas pracaralho!
Vaaaamos, se alguma mulher está lendo isso agora, admita: existe algum minimo prazer em se usar um salto alto, por exemplo? Anatomicamente falando, é uma abominação! O ser humano não foi criado pra caminhar sobre a ponta dos pés, feito um maldito flamingo. Essa porra faz mal!
E não só isso. O que acontece com essa história de CURVEX? Vocês já olharam bem praquilo? Eu poderia apostar que ele é usado como objeto de tortura em algumas culturas. O formato ameaçador, a idéia de que aquilo vai dobrar seus cílios pra cima... os cílios!!!
Honestamente: o quão fodida é uma sociedade que implica até com o grau de curvatura dum pêlodezóio?
You may say I´m a dreamer, but.... tudo o que se pode esperar do mundo, é que ele seja um lugar onde você possa ostentar cílios retos como uma vara de pescar, sem ser torturado por isso.
E saiba, querido homem que está acompanhando este desabafo, que até agora eu peguei leve. Ainda não entrei no mérito daquilo que, eu considero, a mais atroz das práticas femininas: a depilação.
Quem nunca experimentou, não consegue ter noção do que é isso. Não importa a técnica, a bagaça é desumana. Seja arrancando os pelos (maldita reforma ortográfica, quero o acento de volta) da sobrancelha com uma pinça, os da perna com cera fria ou os do rabo com cera quente, a depilação faz você repensar o sentido da vida.
Coloque um terrorista numa sala, com um pote de cera quente de um lado, uma espátula do outro e diga "pois bem, seu Mohammed... tá na hora de fazer a linha do biquini", e o cara te passa o CEP do Bin Laden na hora.
Pode ser impressão, mas parece que tudo o que tange a vaidade feminina vai basicamente contra a vontade da Mãe Natureza. A mulher nasceu peluda? Bora deixar ela pelada. Ela tem o cabelo enrolado? Passem ferro quente nessa merda até alisar. O cabelo nasceu liso? Passem ferro quente nessa merda até enrolar. Ela é branca feito um urso polar? Tranquem-na numa câmara cheia de lâmpadas até ela ficar bem-passada...
É tudo muito perverso pro meu gosto. Claro, eu vivo em sociedade e por mais anarquista que queira ser, também acabo cedendo vez por outra à tais práticas medievais. Mas o mínimo direito a que me reservo é o de fazer tudo isso reclamando. E tem mais: faço somente o estritamente necessário. A não ser quando eu mesma estiver numa vibe masoquista e me propuser a isso, não me venha com essa de "você ficaria linda de salto" ou "que tal um reflexo no cabelo?"
Até porque, se isso significa falta de feminilidade, muito prazer... pode me chamar de ZECÃO.
15.11.09
Da série: FIKDIK.
---------------
Estamos estreando um novo segmento deste blog que, apesar de não ter lá muitas ambições, tenta ser ao menos simpático aos olhos dos leitores: o Fikdik. (lê-se "fica a dica", ô zé ruela...)
A proposta é trazer para a meia-dúzia de gatos pingados que lêem essa bodega, algum tipo de indicação - seja de filmes, livros, programas de TV, comida congelada ou qualquer outra coisa - que valha a pena conhecer. Claro, serão opiniões particulares, então muitas vezes a dica dada poderá ser uma merda sem precedentes. Nesses casos, favor desconsiderar meu mal gosto e ler o próximo post.
Bora lá:
Começo falando sobre o filho do hómi - calma, não vou recomendar nenhuma conversão ou sessão do descarrego: o hómi neste caso é Stephen King, e seu filho, Joe Hill.
King é velho conhecido de qualquer pessoa que tenha o mínimo apreço pela literatura de horror/suspense contemporânea. E também de quem odeia ler, haja visto que quase tudo que ele escreve vira filme ou série. Já seu filho não é tão famoso assim, pelo menos por essas bandas, mas isso não significa que seja menos talentoso: por vezes eu até prefiro as obras do Júnior às do Papi.
Com um estilo bastante direto, sem nenhuma afetação literária, Hill (que adotou este nome para, entre outras coisas, não carregar a fama do pai escritor) consegue produzir histórias que são ao mesmo tempo reais e fantásticas.
Recomendo dois livros:

A estrada da noite - um romance com pitadas de sobrenatural, muita ação e rock and roll, onde o roqueiro Jude e sua namoradinha adolescente se vêem perseguidos pelo espírito do padrasto de uma das fãs que o músico "papou" há tempos atrás. Quem gosta de música vai encontrar algumas referencias bem bacanas aqui e ali, mas fãs de terror podem se desapontar. Em certa altura, a história perde um pouco do medo que deveria transmitir. Isso não torna o livro ruim, apenas diferente. E apesar de, à primeira vista, a premissa parecer meio forçada, acredite: a trama se desenrola bem facilmente, tornando a leitura agradável e fluída.
"Jude deu mais um passo à frente, mas estava pouco à vontade. Não era só uma coisa. Era tudo. Era o ambiente mal iluminado (....) era o pensamento de que alguém teria, ainda há pouco, atravessado o escritório e talvez ainda estivesse por perto, observando da escuridão do banheiro, pela fresta da porta entreaberta... "
-----------------------
Fantasmas do Século XX - uma coletânea de contos que dançam entre o terror e o fantástico, explorando facetas diversas da ficção que Hill domina tão bem. Nota para o conto "Pop Art" que me pareceu particularmente interessante, embora não seja nem de longe o mais assustador. Algumas histórias pegam direto na veia, com descrições de fazer o ar faltar aos pulmões, enquanto outras mergulham sem rumo na fantasia. Garante uma ótima leitura pra quem gosta do inusitado.
"... ele amarra suas mãos nas costas e joga-a no chão da traseira de sua picape, onde ela descobre um menino mais ou menos da sua idade, que primeiro pensa estar morto, e que teve o rosto desfigurado de maneira indescritível. Seus olhos estão escondidos atrás de um par de buttons amarelos, com o desenho de uma carinha sorridente. Foram espetados bem no meio de suas pálpebras - costuradas com fios de aço - e de suas órbitas... "
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É isso macacada: duas boas opções pra quando o combo da NET for pra merda e te deixar sem tv, internet e telefone. Enjoy. =)
Estamos estreando um novo segmento deste blog que, apesar de não ter lá muitas ambições, tenta ser ao menos simpático aos olhos dos leitores: o Fikdik. (lê-se "fica a dica", ô zé ruela...)
A proposta é trazer para a meia-dúzia de gatos pingados que lêem essa bodega, algum tipo de indicação - seja de filmes, livros, programas de TV, comida congelada ou qualquer outra coisa - que valha a pena conhecer. Claro, serão opiniões particulares, então muitas vezes a dica dada poderá ser uma merda sem precedentes. Nesses casos, favor desconsiderar meu mal gosto e ler o próximo post.
Bora lá:
Começo falando sobre o filho do hómi - calma, não vou recomendar nenhuma conversão ou sessão do descarrego: o hómi neste caso é Stephen King, e seu filho, Joe Hill.
King é velho conhecido de qualquer pessoa que tenha o mínimo apreço pela literatura de horror/suspense contemporânea. E também de quem odeia ler, haja visto que quase tudo que ele escreve vira filme ou série. Já seu filho não é tão famoso assim, pelo menos por essas bandas, mas isso não significa que seja menos talentoso: por vezes eu até prefiro as obras do Júnior às do Papi.
Com um estilo bastante direto, sem nenhuma afetação literária, Hill (que adotou este nome para, entre outras coisas, não carregar a fama do pai escritor) consegue produzir histórias que são ao mesmo tempo reais e fantásticas.
Recomendo dois livros:

A estrada da noite - um romance com pitadas de sobrenatural, muita ação e rock and roll, onde o roqueiro Jude e sua namoradinha adolescente se vêem perseguidos pelo espírito do padrasto de uma das fãs que o músico "papou" há tempos atrás. Quem gosta de música vai encontrar algumas referencias bem bacanas aqui e ali, mas fãs de terror podem se desapontar. Em certa altura, a história perde um pouco do medo que deveria transmitir. Isso não torna o livro ruim, apenas diferente. E apesar de, à primeira vista, a premissa parecer meio forçada, acredite: a trama se desenrola bem facilmente, tornando a leitura agradável e fluída.
"Jude deu mais um passo à frente, mas estava pouco à vontade. Não era só uma coisa. Era tudo. Era o ambiente mal iluminado (....) era o pensamento de que alguém teria, ainda há pouco, atravessado o escritório e talvez ainda estivesse por perto, observando da escuridão do banheiro, pela fresta da porta entreaberta... "
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Fantasmas do Século XX - uma coletânea de contos que dançam entre o terror e o fantástico, explorando facetas diversas da ficção que Hill domina tão bem. Nota para o conto "Pop Art" que me pareceu particularmente interessante, embora não seja nem de longe o mais assustador. Algumas histórias pegam direto na veia, com descrições de fazer o ar faltar aos pulmões, enquanto outras mergulham sem rumo na fantasia. Garante uma ótima leitura pra quem gosta do inusitado.
"... ele amarra suas mãos nas costas e joga-a no chão da traseira de sua picape, onde ela descobre um menino mais ou menos da sua idade, que primeiro pensa estar morto, e que teve o rosto desfigurado de maneira indescritível. Seus olhos estão escondidos atrás de um par de buttons amarelos, com o desenho de uma carinha sorridente. Foram espetados bem no meio de suas pálpebras - costuradas com fios de aço - e de suas órbitas... "
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É isso macacada: duas boas opções pra quando o combo da NET for pra merda e te deixar sem tv, internet e telefone. Enjoy. =)
Morde aqui, ó!
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Prestes a bater um mês sem atualizações, eis que dou as caras por aqui.
Mas nenhum post muito inspirado está a caminho, caro leitor. Minha criatividade anda numa terrível crise, daquelas que sempre me acometem quando eu finalmente resolvo que "ei, seria legal ter um blog!". No entanto, chafurdando minha insólita mente atrás de qualquer assunto minimamente interessante pra compartilhar, dou de frente com Robert Pattinson.
Quem? - pergunta boa parte de vocês.
Robert Pattinson é a mais nova coqueluche de 11 entre 10 pré-adolescentes hormonais, que encontraram na saga de Crepúsculo um bom motivo pra ler algo além da Atrevida deste mês. O rapaz - dotado de uma beleza um tanto exótica - não é exatamente um mestre da interpretação. Come poeira diante do talento de nomes como Shia Labeouf ou Emile Hirsch, atores da mesma geração e que conseguem de fato significar algum diferencial nos filmes em que atuam (muito embora o primeiro deles tenha se tornado coadjuvante da volúpia MeganFoxiniana, em Transformers).
O apelo de Pattinson está em outros méritos: ele tem aquele ar de quem não liga pra fama que tem. Estamos falando de um garoto de 23 anos que - na pele de Edward Cullen, vampiro galã e cavalheiro à moda beeem antiga - coleciona fãs como Bill Gates coleciona notas de 100. E parece não se afetar com isso.
Claro que, em se tratando de celebridades, nunca podemos descartar a hipótese de tudo ser uma bela jogada de marketing, mas é inegável que Robert Pattinson e seu eterno semblante de quem cabulou a reabilitação são os ingredientes certos para aguçar o apetite do público. Confesso que até eu, que já passei da adolescência há um certo tempo, dou meus suspiros sempre que vejo o topete desgrenhado do tal vampiro.
Quanto à obra literária que deu origem aos filmes, também admito que gosto. Dos quatro livros, li os dois primeiros e metade do terceiro. Um único porém: excetuando o próprio Crepúsculo, que vem com todo o mistério da descoberta de Bella (no filme, Kristen Stewart - outra atriz que merece menção por seu avesso apelo holywoodiano) e adrenalina subsequente, os outros acabam caindo num romantismo exagerado pro meu gosto. Nada que comprometa muito o desenrolar da trama, mas depois do décimo oitavo "prefiro morrer esmagado por búfalos que viver sem você" a coisa meio que soa melosa demais.
Enfim, a sequencia cinematográfica "Lua Nova" tá pra estrear esses dias e promete menos Pattinson, pra frustração das vampiretes, e mais do lobisomem Taylor Lautner - cujo talento dramático eu nem imagino qual seja, mas torço pra ser tão bom quanto o abdomem que ele vai exibir durante boa parte do filme.
Vou esperar pra ver se o lobinho também desperta a tiete - graças ao companheiro de elenco - não tão adormecida em mim. Mas já adianto uma coisa: se os cães são os melhores amigos do homem, os morcegos estão se tornando, cada vez mais, o maior sonho das mulheres.
Prestes a bater um mês sem atualizações, eis que dou as caras por aqui.
Mas nenhum post muito inspirado está a caminho, caro leitor. Minha criatividade anda numa terrível crise, daquelas que sempre me acometem quando eu finalmente resolvo que "ei, seria legal ter um blog!". No entanto, chafurdando minha insólita mente atrás de qualquer assunto minimamente interessante pra compartilhar, dou de frente com Robert Pattinson.
Quem? - pergunta boa parte de vocês.
Robert Pattinson é a mais nova coqueluche de 11 entre 10 pré-adolescentes hormonais, que encontraram na saga de Crepúsculo um bom motivo pra ler algo além da Atrevida deste mês. O rapaz - dotado de uma beleza um tanto exótica - não é exatamente um mestre da interpretação. Come poeira diante do talento de nomes como Shia Labeouf ou Emile Hirsch, atores da mesma geração e que conseguem de fato significar algum diferencial nos filmes em que atuam (muito embora o primeiro deles tenha se tornado coadjuvante da volúpia MeganFoxiniana, em Transformers).
O apelo de Pattinson está em outros méritos: ele tem aquele ar de quem não liga pra fama que tem. Estamos falando de um garoto de 23 anos que - na pele de Edward Cullen, vampiro galã e cavalheiro à moda beeem antiga - coleciona fãs como Bill Gates coleciona notas de 100. E parece não se afetar com isso.
Claro que, em se tratando de celebridades, nunca podemos descartar a hipótese de tudo ser uma bela jogada de marketing, mas é inegável que Robert Pattinson e seu eterno semblante de quem cabulou a reabilitação são os ingredientes certos para aguçar o apetite do público. Confesso que até eu, que já passei da adolescência há um certo tempo, dou meus suspiros sempre que vejo o topete desgrenhado do tal vampiro.
Quanto à obra literária que deu origem aos filmes, também admito que gosto. Dos quatro livros, li os dois primeiros e metade do terceiro. Um único porém: excetuando o próprio Crepúsculo, que vem com todo o mistério da descoberta de Bella (no filme, Kristen Stewart - outra atriz que merece menção por seu avesso apelo holywoodiano) e adrenalina subsequente, os outros acabam caindo num romantismo exagerado pro meu gosto. Nada que comprometa muito o desenrolar da trama, mas depois do décimo oitavo "prefiro morrer esmagado por búfalos que viver sem você" a coisa meio que soa melosa demais.
Enfim, a sequencia cinematográfica "Lua Nova" tá pra estrear esses dias e promete menos Pattinson, pra frustração das vampiretes, e mais do lobisomem Taylor Lautner - cujo talento dramático eu nem imagino qual seja, mas torço pra ser tão bom quanto o abdomem que ele vai exibir durante boa parte do filme.
Vou esperar pra ver se o lobinho também desperta a tiete - graças ao companheiro de elenco - não tão adormecida em mim. Mas já adianto uma coisa: se os cães são os melhores amigos do homem, os morcegos estão se tornando, cada vez mais, o maior sonho das mulheres.
21.10.09
Antes da hora.
---------------
Fábio era prematuro. Pesava pouco mais de 1 quilo quando nasceu. A mãe, já passando dos 35, não tivera a gravidez tranqüila que merecia. Da sala de parto o menino foi levado à incubadora, onde ficou por treze dias sob o olhar descrente de médicos e enfermeiras. Uma infecção respiratória, por fim, colocou um ponto à vida que mal começara. Lágrimas de uma família incompleta rolaram pelo pequeno que, saberia-se depois, não partiria tão facilmente. Primeiro vieram os choros infantes durante a noite e os brinquedos que caiam no quartinho vazio. Depois a depressão da mãe que, uma semana após, não dormia ou se alimentava. Perdera a sanidade, pensavam. Na segunda semana, perdeu também a saúde: acamou-se por doença desconhecida. No décimo segundo dia, ninava com braços fracos um corpo que não se via: dizia estar finalmente embalando o filho querido. No raiar do décimo terceiro, seus olhos distantes encontraram a morte. Pois, assim como a criança que gerou, também ela não estava preparada para as cruezas deste mundo.
Fábio era prematuro. Pesava pouco mais de 1 quilo quando nasceu. A mãe, já passando dos 35, não tivera a gravidez tranqüila que merecia. Da sala de parto o menino foi levado à incubadora, onde ficou por treze dias sob o olhar descrente de médicos e enfermeiras. Uma infecção respiratória, por fim, colocou um ponto à vida que mal começara. Lágrimas de uma família incompleta rolaram pelo pequeno que, saberia-se depois, não partiria tão facilmente. Primeiro vieram os choros infantes durante a noite e os brinquedos que caiam no quartinho vazio. Depois a depressão da mãe que, uma semana após, não dormia ou se alimentava. Perdera a sanidade, pensavam. Na segunda semana, perdeu também a saúde: acamou-se por doença desconhecida. No décimo segundo dia, ninava com braços fracos um corpo que não se via: dizia estar finalmente embalando o filho querido. No raiar do décimo terceiro, seus olhos distantes encontraram a morte. Pois, assim como a criança que gerou, também ela não estava preparada para as cruezas deste mundo.
20.10.09
Love hurts.
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Ah, o amor.
Existe no mundo coisa mais bela e sublime do que este sentimento que nos furta toda lógica, racionalidade, senso do ridículo, instinto de preservação e dígitos do saldo bancário?
Claro que existe. Coisa pracaralho, inclusive.
Mas não pense que sou uma pessoa amarga, que repudia o romantismo e todas as juras eternas que o acompanham, só por admitir isso. Bem pelo contrário: eu gosto de Matrix, sou fã de uma boa ficção e acho até que toda essa coisa de “alma gêmea” é um conceito interessante. Quero dizer, graças a isso foram feitos alguns dos melhores livros e filmes que conhecemos.
Só que, verdade seja dita, eles nunca superam os subprodutos do pé na bunda.
Não existe inspiração nesse universo que tenha gerado mais arte do que o amor que sai pela culatra. Sejamos honestos; se você já foi passado pra trás, sabe que não há nada como um belo corno para despertar o artista esquecido. Músicas, poemas, quadros, origami, bonecos de vodu, tudo isso desabrocha tão logo percebemos que o “eu te amo” virou “vá se foder”.
Aliás, é um caso de estudo. Não conheço nada nesta dimensão que transmute com mais velocidade que o amor. Ele vira ódio antes que o Super-Homem consiga sequer pensar em vestir suas ceroulas vermelhas, numa cabine telefônica.
Pergunta pra Alanis Morissete. Dá até pra ver uma veia saltando na testa dela, enquanto escrevia a letra de You Oughta Know:
Did you forget about me, Mr. Duplicity?
I hate to bug you in the middle of dinner.
It was a slap in the face how quickly I was replaced
Are you thinking of me when you fuck her?
(…)
And I'm not gonna fade,
as soon as you close your eyes, and you know it.
And every time I scratch my nails down someone else's back
I hope you feel it...well can you feel it?
E estes são só os trechos revoltados. O resto da música contém ironia o suficiente pra matar um humorista inglês:
An older version of me,
Is she perverted like me?
Would she go down on you in a theatre?
Does she speak eloquently?
And would she have your baby?
I'm sure she'd make a really excellent mother.
Claro, a tia Alanis não soube lidar lá muito sutilmente com a perda. Existem pessoas que são um pouco mais cool nesse quesito. Tipo o Phil Collins, que ao invés de mandar a outra pessoa enfiar uma granada sem pino no rabo, optou pela linha “não to ligando de ter sido mais avacalhado que a Vanusa cantando o hino” :
Well, I dont care now what you say,
cuz every day Im feeling fine with myself.
And I dont care now what you say.
Hey, Ill do alright by myself.
(…)
And I really aint bothered what you think of me,
cos all I want of you is just a let me be (…)
I dont care what you say,
I never did believe you much anyway.
Basicamente o cara tá dizendo que cagou litros pro rompimento e que nem tava tão afim, mesmo. Sabe, né? A velha mentira descarada que todo mundo conta pra tentar se convencer de que a coisa não é tão ruim. Seria o equivalente sentimental àquela criança que perde três dentes de leite no balanço, e depois sai dizendo que “nem doeu”.
E estes são apenas dois exemplos. A lista teria quilômetros se eu entrasse no repertório sertanejo, e estratosférica se entrássemos nas composições emo que contagiaram o mundo feito uma pandemia de gripe.
Mas só pra não dizerem que me falta patriotismo, uma palavrinha de Waldick Soriano sobre o tema:
Tu não sabes compreender
Quem te ama, quem te adora
Tu só sabes maltratar-me
E por isso eu vou embora.
A pior coisa do mundo
É amar sendo enganado
Quem despreza um grande amor
Não merece ser feliz, nem tão pouco ser amado.
Reparou que o sujeito faz o tipo “vou dar um pé, antes de levar”, né?
Isso raramente dá certo, porque no fundo você sabe que não ter sido oficialmente chutado foi mais uma questão de tática, que de merecimento. Sua bunda já tava na mira faz tempo.
E pra encerrar, seria uma heresia não fechar o post citando a musica que melhor descreve o fundo do poço pra onde o toco te arrasta. O hino preso na garganta de todo mundo que já percebeu o quão deliciosamente filho da puta um grande amor pode ser.
Senhoras e senhores, se algum dia vocês encheram a cara pra esquecer um pé na bunda, é hora de dizer:
Porque, se o amor criou Romeu e Julieta, o pé na bunda nos deu Reginaldo Rossi e seu cabelo Assolan.
E depois disso, filhote.... não tem como torcer pra sermos felizes para sempre, tem? =P
Ah, o amor.
Existe no mundo coisa mais bela e sublime do que este sentimento que nos furta toda lógica, racionalidade, senso do ridículo, instinto de preservação e dígitos do saldo bancário?
Claro que existe. Coisa pracaralho, inclusive.
Mas não pense que sou uma pessoa amarga, que repudia o romantismo e todas as juras eternas que o acompanham, só por admitir isso. Bem pelo contrário: eu gosto de Matrix, sou fã de uma boa ficção e acho até que toda essa coisa de “alma gêmea” é um conceito interessante. Quero dizer, graças a isso foram feitos alguns dos melhores livros e filmes que conhecemos.
Só que, verdade seja dita, eles nunca superam os subprodutos do pé na bunda.
Não existe inspiração nesse universo que tenha gerado mais arte do que o amor que sai pela culatra. Sejamos honestos; se você já foi passado pra trás, sabe que não há nada como um belo corno para despertar o artista esquecido. Músicas, poemas, quadros, origami, bonecos de vodu, tudo isso desabrocha tão logo percebemos que o “eu te amo” virou “vá se foder”.
Aliás, é um caso de estudo. Não conheço nada nesta dimensão que transmute com mais velocidade que o amor. Ele vira ódio antes que o Super-Homem consiga sequer pensar em vestir suas ceroulas vermelhas, numa cabine telefônica.
Pergunta pra Alanis Morissete. Dá até pra ver uma veia saltando na testa dela, enquanto escrevia a letra de You Oughta Know:
Did you forget about me, Mr. Duplicity?
I hate to bug you in the middle of dinner.
It was a slap in the face how quickly I was replaced
Are you thinking of me when you fuck her?
(…)
And I'm not gonna fade,
as soon as you close your eyes, and you know it.
And every time I scratch my nails down someone else's back
I hope you feel it...well can you feel it?
E estes são só os trechos revoltados. O resto da música contém ironia o suficiente pra matar um humorista inglês:
An older version of me,
Is she perverted like me?
Would she go down on you in a theatre?
Does she speak eloquently?
And would she have your baby?
I'm sure she'd make a really excellent mother.
Claro, a tia Alanis não soube lidar lá muito sutilmente com a perda. Existem pessoas que são um pouco mais cool nesse quesito. Tipo o Phil Collins, que ao invés de mandar a outra pessoa enfiar uma granada sem pino no rabo, optou pela linha “não to ligando de ter sido mais avacalhado que a Vanusa cantando o hino” :
Well, I dont care now what you say,
cuz every day Im feeling fine with myself.
And I dont care now what you say.
Hey, Ill do alright by myself.
(…)
And I really aint bothered what you think of me,
cos all I want of you is just a let me be (…)
I dont care what you say,
I never did believe you much anyway.
Basicamente o cara tá dizendo que cagou litros pro rompimento e que nem tava tão afim, mesmo. Sabe, né? A velha mentira descarada que todo mundo conta pra tentar se convencer de que a coisa não é tão ruim. Seria o equivalente sentimental àquela criança que perde três dentes de leite no balanço, e depois sai dizendo que “nem doeu”.
E estes são apenas dois exemplos. A lista teria quilômetros se eu entrasse no repertório sertanejo, e estratosférica se entrássemos nas composições emo que contagiaram o mundo feito uma pandemia de gripe.
Mas só pra não dizerem que me falta patriotismo, uma palavrinha de Waldick Soriano sobre o tema:
Tu não sabes compreender
Quem te ama, quem te adora
Tu só sabes maltratar-me
E por isso eu vou embora.
A pior coisa do mundo
É amar sendo enganado
Quem despreza um grande amor
Não merece ser feliz, nem tão pouco ser amado.
Reparou que o sujeito faz o tipo “vou dar um pé, antes de levar”, né?
Isso raramente dá certo, porque no fundo você sabe que não ter sido oficialmente chutado foi mais uma questão de tática, que de merecimento. Sua bunda já tava na mira faz tempo.
E pra encerrar, seria uma heresia não fechar o post citando a musica que melhor descreve o fundo do poço pra onde o toco te arrasta. O hino preso na garganta de todo mundo que já percebeu o quão deliciosamente filho da puta um grande amor pode ser.
Senhoras e senhores, se algum dia vocês encheram a cara pra esquecer um pé na bunda, é hora de dizer:
Porque, se o amor criou Romeu e Julieta, o pé na bunda nos deu Reginaldo Rossi e seu cabelo Assolan.
E depois disso, filhote.... não tem como torcer pra sermos felizes para sempre, tem? =P
Juramento de "Hipócritas"
--------------------
Se você tem um plano de saúde, já deve ter percebido que – como sempre acontece com planos – ele nunca funciona.
Tente marcar uma consulta e comprove que poucas coisas são tão irritantes quanto a indisponibilidade médica, a falta de boa vontade por parte das secretárias e a ineficácia no seu diagnóstico.
Já começa pelo maldito guia. Lá existem milhares de nomes, cujos quais você nunca ouviu na vida, e é dentre eles que você deve sortear o ser humano ao qual irá entregar sua saúde. E depois ainda falam em “roleta russa”.
O único e mais plausível critério pra selecionar o profissional é a proximidade entre ele e a sua casa. Isso sem contar a simpatia pela graça do sujeito: acabamos rejeitando Rodrigos por que parecem muito novos, Felisbertos porque parecem muito velhos, ZunChuLis porque são muito chineses e Ronaldos porque são muito corintianos (licença poética aqui).
Depois de fechar os olhos e apontar aleatoriamente a pessoa que vai ser responsável pela continuidade da sua vida neste mundo (e de esperar aproximadamente dois ciclos lunares por um horário vago) é chegado o momento de ir ao consultório e saber em qual boca de porco você se enfiou.
Geralmente a sala de espera já é um bom termômetro do que te aguarda no consultório. Certos proctologistas, por exemplo, são bastante coerentes: o atendimento da secretária é uma merda e você já toma no cu quando a consulta atrasa em mais de uma hora.
Com sorte, oaçougueiro… quero dizer, o médico, vai analisar seu caso de forma superficial, dando eventuais olhadelas pro seu rosto, enquanto digita freneticamente alguma coisa no computador. Você acha que ele está registrando seu histórico médico, eu acho que ele está no Chat da Uol dizendo que a mãe de alguém tem pêlo na teta. Mas isso é uma opinião pessoal, claro.
Por fim, quando você acredita que finalmente resolveu seus problemas, porque o Doutor receitou uma pomada e 3 comprimidos, fica sabendo do famoso “retorno”. Repare, caro leitor, que ele nunca acontece antes de 30 dias. E isso tem uma explicação simples: os planos de saúde só autorizam o pagamento aos médicos por consultas feitas num intervalo mínimo de um mês.
Entendeu a sacanagem?
Isso significa que não importa se o remédio que te receitaram só precisa de 15 dias pra fazer efeito ou se o médico já pode avaliar a sua melhora em menos tempo. Você só vai colocar suas patas assalariadas dentro do consultório outra vez, quando a secretária puder passar seu cartão na máquina e rechear os bolsos do dotô.
É por essas e outras que, quando me falam em saúde pública, SUS e todas essas siglas que traduzem o atendimento vagabundo oferecido pelo governo, eu fico pensando se aqueles que pagam a mais por algum tipo de “privilégio” – se é que ter um tratamento decente pode ser considerado privilégio – está mesmo com a vantagem, ou só está mudando o endereço da carteira pra onde vai o dinheiro que lhe afanaram.
Me desculpem mas, quando o assunto é saúde, eu ainda sou mais a receita de chá da minha avó....
Se você tem um plano de saúde, já deve ter percebido que – como sempre acontece com planos – ele nunca funciona.
Tente marcar uma consulta e comprove que poucas coisas são tão irritantes quanto a indisponibilidade médica, a falta de boa vontade por parte das secretárias e a ineficácia no seu diagnóstico.
Já começa pelo maldito guia. Lá existem milhares de nomes, cujos quais você nunca ouviu na vida, e é dentre eles que você deve sortear o ser humano ao qual irá entregar sua saúde. E depois ainda falam em “roleta russa”.
O único e mais plausível critério pra selecionar o profissional é a proximidade entre ele e a sua casa. Isso sem contar a simpatia pela graça do sujeito: acabamos rejeitando Rodrigos por que parecem muito novos, Felisbertos porque parecem muito velhos, ZunChuLis porque são muito chineses e Ronaldos porque são muito corintianos (licença poética aqui).
Depois de fechar os olhos e apontar aleatoriamente a pessoa que vai ser responsável pela continuidade da sua vida neste mundo (e de esperar aproximadamente dois ciclos lunares por um horário vago) é chegado o momento de ir ao consultório e saber em qual boca de porco você se enfiou.
Geralmente a sala de espera já é um bom termômetro do que te aguarda no consultório. Certos proctologistas, por exemplo, são bastante coerentes: o atendimento da secretária é uma merda e você já toma no cu quando a consulta atrasa em mais de uma hora.
Com sorte, o
Por fim, quando você acredita que finalmente resolveu seus problemas, porque o Doutor receitou uma pomada e 3 comprimidos, fica sabendo do famoso “retorno”. Repare, caro leitor, que ele nunca acontece antes de 30 dias. E isso tem uma explicação simples: os planos de saúde só autorizam o pagamento aos médicos por consultas feitas num intervalo mínimo de um mês.
Entendeu a sacanagem?
Isso significa que não importa se o remédio que te receitaram só precisa de 15 dias pra fazer efeito ou se o médico já pode avaliar a sua melhora em menos tempo. Você só vai colocar suas patas assalariadas dentro do consultório outra vez, quando a secretária puder passar seu cartão na máquina e rechear os bolsos do dotô.
É por essas e outras que, quando me falam em saúde pública, SUS e todas essas siglas que traduzem o atendimento vagabundo oferecido pelo governo, eu fico pensando se aqueles que pagam a mais por algum tipo de “privilégio” – se é que ter um tratamento decente pode ser considerado privilégio – está mesmo com a vantagem, ou só está mudando o endereço da carteira pra onde vai o dinheiro que lhe afanaram.
Me desculpem mas, quando o assunto é saúde, eu ainda sou mais a receita de chá da minha avó....
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