15.11.09

Da série: FIKDIK.

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Estamos estreando um novo segmento deste blog que, apesar de não ter lá muitas ambições, tenta ser ao menos simpático aos olhos dos leitores: o Fikdik. (lê-se "fica a dica", ô zé ruela...)

A proposta é trazer para a meia-dúzia de gatos pingados que lêem essa bodega, algum tipo de indicação - seja de filmes, livros, programas de TV, comida congelada ou qualquer outra coisa - que valha a pena conhecer. Claro, serão opiniões particulares, então muitas vezes a dica dada poderá ser uma merda sem precedentes. Nesses casos, favor desconsiderar meu mal gosto e ler o próximo post.

Bora lá:

Começo falando sobre o filho do hómi - calma, não vou recomendar nenhuma conversão ou sessão do descarrego: o hómi neste caso é Stephen King, e seu filho, Joe Hill.

King é velho conhecido de qualquer pessoa que tenha o mínimo apreço pela literatura de horror/suspense contemporânea. E também de quem odeia ler, haja visto que quase tudo que ele escreve vira filme ou série. Já seu filho não é tão famoso assim, pelo menos por essas bandas, mas isso não significa que seja menos talentoso: por vezes eu até prefiro as obras do Júnior às do Papi.

Com um estilo bastante direto, sem nenhuma afetação literária, Hill (que adotou este nome para, entre outras coisas, não carregar a fama do pai escritor) consegue produzir histórias que são ao mesmo tempo reais e fantásticas.

Recomendo dois livros:



 A estrada da noite - um romance com pitadas de sobrenatural, muita ação e rock and roll, onde o roqueiro Jude e sua namoradinha adolescente se vêem perseguidos pelo espírito do padrasto de uma das fãs que o músico "papou" há tempos atrás. Quem gosta de música vai encontrar algumas referencias bem bacanas aqui e ali, mas fãs de terror podem se desapontar. Em certa altura, a história perde um pouco do medo que deveria transmitir. Isso não torna o livro ruim, apenas diferente. E apesar de, à primeira vista, a premissa parecer meio forçada, acredite: a trama se desenrola bem facilmente, tornando a leitura agradável e fluída.



"Jude deu mais um passo à frente, mas estava pouco à vontade. Não era só uma coisa. Era tudo. Era o ambiente mal iluminado (....) era o pensamento de que alguém teria, ainda há pouco, atravessado o escritório e talvez ainda estivesse por perto, observando da escuridão do banheiro, pela fresta da porta entreaberta... "

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Fantasmas do Século XX -  uma coletânea de contos que dançam entre o terror e o fantástico, explorando facetas diversas da ficção que Hill domina tão bem. Nota para o conto "Pop Art" que me pareceu particularmente interessante, embora não seja nem de longe o mais assustador. Algumas histórias pegam direto na veia, com descrições de fazer o ar faltar aos pulmões, enquanto outras mergulham sem rumo na fantasia. Garante uma ótima leitura pra quem gosta do inusitado.

"... ele amarra suas mãos nas costas e joga-a no chão da traseira de sua picape, onde ela descobre um menino mais ou menos da sua idade, que primeiro pensa estar morto, e que teve o rosto desfigurado de maneira indescritível. Seus olhos estão escondidos atrás de um par de buttons amarelos, com o desenho de uma carinha sorridente. Foram espetados bem no meio de suas pálpebras - costuradas com fios de aço - e de suas órbitas... "

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É isso macacada: duas boas opções pra quando o combo da NET for pra merda e te deixar sem tv, internet e telefone. Enjoy. =)