Apesar de ter nascido com um par de cromossomos X e
Agora, de cabeça, não consigo me lembrar quando exatamente percebi que essa não era a minha. Mas tenho algumas recordações de, aos 5 ou 6 anos, estar dando pití por que a minha mãe queria me colocar dentro de uma meia-calça. Aquele troço me arrepiava todos os poros: desde a textura estranha, passando pelo fato de ser claustrofóbicamente colada ao corpo, mais o calor que me dava... era o caos.
De lá pra cá, a situação permaneceu bastante parecida. Ainda hoje só tenho duas dessas crias de Lúcifer no armário (para casos de extrema e irrevogável necessidade). E uma delas é arrastão, o que ameniza um pouco o negócio do calor.
Por causa dessa minha ligeira repulsa aos trejeitos femininos, já ouvi muita coisa. A mais frequente é sobre o time que eu jogo, saca? Pessoal tem a intrigante mania de associar falta de frescura à sapatice. Nada contra, eu acho que cada um faz o que bem quiser da vida e da periquita, mas no meu caso a história é outra. Eu não sou avessa à meninices por ser uma forma de exteriorizar um lado masculino da minha personalidade, ou como uma espécie de protesto contra a castrada educação feminina, que prega ideais de beleza inalcançáveis e aprisiona nossa auto-estima em jaulas de cobranças impossíveis.
Eu sou contra meninices simplesmente porque elas são chatas pracaralho!
Vaaaamos, se alguma mulher está lendo isso agora, admita: existe algum minimo prazer em se usar um salto alto, por exemplo? Anatomicamente falando, é uma abominação! O ser humano não foi criado pra caminhar sobre a ponta dos pés, feito um maldito flamingo. Essa porra faz mal!
E não só isso. O que acontece com essa história de CURVEX? Vocês já olharam bem praquilo? Eu poderia apostar que ele é usado como objeto de tortura em algumas culturas. O formato ameaçador, a idéia de que aquilo vai dobrar seus cílios pra cima... os cílios!!!
Honestamente: o quão fodida é uma sociedade que implica até com o grau de curvatura dum pêlodezóio?
You may say I´m a dreamer, but.... tudo o que se pode esperar do mundo, é que ele seja um lugar onde você possa ostentar cílios retos como uma vara de pescar, sem ser torturado por isso.
E saiba, querido homem que está acompanhando este desabafo, que até agora eu peguei leve. Ainda não entrei no mérito daquilo que, eu considero, a mais atroz das práticas femininas: a depilação.
Quem nunca experimentou, não consegue ter noção do que é isso. Não importa a técnica, a bagaça é desumana. Seja arrancando os pelos (maldita reforma ortográfica, quero o acento de volta) da sobrancelha com uma pinça, os da perna com cera fria ou os do rabo com cera quente, a depilação faz você repensar o sentido da vida.
Coloque um terrorista numa sala, com um pote de cera quente de um lado, uma espátula do outro e diga "pois bem, seu Mohammed... tá na hora de fazer a linha do biquini", e o cara te passa o CEP do Bin Laden na hora.
Pode ser impressão, mas parece que tudo o que tange a vaidade feminina vai basicamente contra a vontade da Mãe Natureza. A mulher nasceu peluda? Bora deixar ela pelada. Ela tem o cabelo enrolado? Passem ferro quente nessa merda até alisar. O cabelo nasceu liso? Passem ferro quente nessa merda até enrolar. Ela é branca feito um urso polar? Tranquem-na numa câmara cheia de lâmpadas até ela ficar bem-passada...
É tudo muito perverso pro meu gosto. Claro, eu vivo em sociedade e por mais anarquista que queira ser, também acabo cedendo vez por outra à tais práticas medievais. Mas o mínimo direito a que me reservo é o de fazer tudo isso reclamando. E tem mais: faço somente o estritamente necessário. A não ser quando eu mesma estiver numa vibe masoquista e me propuser a isso, não me venha com essa de "você ficaria linda de salto" ou "que tal um reflexo no cabelo?"
Até porque, se isso significa falta de feminilidade, muito prazer... pode me chamar de ZECÃO.




