23.12.09

The end.

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O fim do ano tá chegando, a cidade está cheia de luzes coloridas e na tevê o Zezé di Camargo já canta musicas natalinas sob o slogan da Marabraz.

Com 2010 tão iminente é quase impossível evitar de fazer planos pros próximos 365 dias, muito embora saibamos que metade deles não vai sair do papel. Mas isso não importa, por que esse é o único período das nossas vidas em que nos permitimos ter esperança.

E é aquela esperança irracional, sabe? Que não se baseia em nada além do otimismo, como quando prometemos aprender dois novos idiomas, a despeito de não conseguirmos sequer conjugar um verbo no particípio.

É a época em que nos lembramos de como as coisas são potencialmente bonitas. De como meia dúzia de lâmpadas podem tornar etérea a figura de um prédio cinza, ou de como a história de um garoto numa manjedoura pode dar sentido às nossas vidas.

Na verdade, o fim do ano serve pra que o mundo pare e perceba tudo o que nos é normalmente invisível, como o sofrimento alheio. A gente experimenta a empatia quase pela primeira vez. E não é à toa que tantos de nós não gostam do Natal: é estranho entrar em contato com todos os sentimentos que o dia-a-dia forçosamente coloca no automático.

Eu tenho 23 anos de vida e posso, felizmente, agradecer por cada um deles. Nunca fui despedaçada pelo mundo ao meu redor, como muitos foram. Tenho ao meu lado as pessoas mais incríveis do universo, e dentro de mim o amor que move montanhas. Não guardo no coração nenhum sentimento nocivo e as poucas amarguras que insistem em aparecer são facilmente expulsas com um abraço apertado ou uma palavra carinhosa.

Carrego comigo a gratidão pela família que tenho e pelo que fazem por mim. Por ter um anjo ao meu lado que, com asas invisíveis, chamo de mãe. Por ter errado muitas vezes e aprendido com os erros. E, acima de tudo, agradeço por ter uma fé inabalável num futuro tão bom quanto o presente.

Neste fim de ano, ao fazer aquela clássica retrospectiva, percebi que não importa o que tenha acontecido nos últimos 12 meses: a única verdade é que eu posso e sou uma pessoa muito feliz. Inclusive por ter a chance de notar isso.

Não sei se ainda posto alguma outra coisa antes do Reveillon, mas caso isso não aconteça, deixo desde já meus votos de paz e amor pra todos vocês, minha meia dúzia de leitores nerds. Que todos consigam fazer de 2010 um ano de alegrias e superações, por que essa é a chave da vida.

E sejamos felizes, pois é tudo que devemos a nós mesmos.


Um beijão e fiquem com Deus. =)

18.12.09

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Acabei de assistir "Marley e eu" no Telecine e chorei mais que mãe de noiva.


O cachorro merece um Oscar.



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15.12.09

Da Série: FIKDIK (II)

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Se você já ouviu falar de Nick Cave, sabe que o sujeito é um pouco, ahn…. excêntrico. E isso já ficaria evidente, ainda se ele não fizesse mais nada além de usar aquele penteado aerodinâmico, tirado de algum filme ruim dos anos 80 e mantido até hoje.

Agora, se você é como a maioria e nem imagina quem seja a figura em questão, permita-me alguns esclarecimentos: Nick Cave é um artista australiano, de 52 anos, notoriamente conhecido por suas canções pesadas e sombrias. O cara baila entre religião, morte, amor e ódio em suas letras, entoando cada palavra com uma voz que faria Leonard Cohen correr para os braços da mãe.

Em 1984 ele fundou, junto com um amigo de longa data, a banda “The Bad Seeds” (nome retirado de um filme e outra das incontáveis referências presentes em seus trabalhos) com a qual se tornou mais conhecido do grande público, fazendo inclusive parcerias com gente como PJ Harvey e Kilye Minogue.

Mas o talento alternativo do moço não fica só nas notas musicais e se estende também para a literatura e cinema. Ele já publicou o livro “And the ass saw the Angel” – com uma temática tão sombria quanto o próprio autor - , além de escrever o roteiro de “Ghosts… of the civil dead”, lançado em 1989.

Falar de Nick Cave é se embrenhar numa mata tão densa que fica fácil se perder. Então para evitar que o post se torne muito técnico, vamos partir direto pras recomendações mais interessantes, principalmente se você está conhecendo o Sr. Caverna agora:




- Murder Ballads (1996): a primeira vez que eu escutei este CD, precisei de uns 40 minutos até assimilar toda a complexidade da coisa. São 10 faixas, cada uma delas narrando um crime diferente, seja pelos olhos da vítima ou do criminoso, com uma riqueza de detalhes aterradora. Sem duvida o trabalho ganha mais significado quando o ouvinte entende inglês ou tem acesso à tradução das letras, porque só assim se percebe a grandeza do que Nick fez naquelas canções. O cara praticamente transformou merda em ouro ao escrever coisas como "Song of Joy", onde um homem narra a vida e morte de sua mulher e três filhas, pelas mãos de um maníaco que invadiu sua casa durante a noite. A voz gutural de Cave e a interpretação certa de cada momento, fazem com que a música arrepie todos os poros do seu corpo. Quando ouvi pela primeira vez, durante uma madrugada insone, terminei o terceiro play consecutivo agarrada aos fones de ouvido, como um gato prestes a tomar banho, consumindo eufórica toda a morbidez da letra. Outros destaques do CD ficam por conta das participações especiais da inglesa ( e possível rolo de Mr. Cave ) Pj Harvey, em "Henry Lee", e de Kilye Minogue numa lúgubre e romântica "Where the wild roses grow".


"Was it an act of contrition or some awful premonition,

As if she saw into the heart of her final blood-soaked night.
Those lunatic eyes, that hungry kitchen knife….
Ah, I see sir, that I have your attention!
Well, could it be?”

(trecho de Song of Joy - Murder Ballads/1996)


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Se a essa altura você já está achando Nick Cave um degenerado filho de Satã, calma lá. Não é só porque 89% do que o cara faz versa sobre estripações e chacinas, que ele não possa ter alguns momentos de sensibilidade na vida. Foi isso que aconteceu, por exemplo, quando Nick escreveu as duas proximas indicações do post:


Into My Arms (The Boatman´s Call - 1997)



Into my Arms tem, possivelmente, uma das mais belas e tocantes letras que eu já vi. Segundo o próprio Cave, a inspiração pra compor essa belezinha veio enquanto ele estava dentro de uma capela, dessas de interior, sem pensar em nada. Porque é assim que acontece com os gênios, né? A idéia simplesmente ATACA seus neurônios de uma hora pra outra. Enfim, o resultado foram palavras capazes de conquistar até a mais cascuda das donzelas, fazendo-a esquecer que o sujeito é feio pracaraleo.

"Eu não acredito na existência de um Deus intervencionista,
Mas eu sei, querida, que você acredita.

E se eu acreditasse, me ajoelharia diante Dele
E pediria para que não interviesse sobre você
Não tocasse em um fio do seu cabelo
E que se fosse necessário te guiar

Que lhe guiasse para os meus braços.

Para os meus braços, ó Senhor...

E eu não acredito na existência de anjos,
Mas olhando para você, me pergunto se não seria verdade.

E se eu acreditasse, convocaria a todos e pediria
Para que olhassem por você.
Para que cada um acendesse uma vela e clareassem seus caminhos
E te levassem, como a Cristo, por entre graças e amor

Até meus braços.

Até meus braços, ó Senhor...

Mas eu acredito no amor,
E sei, querida, que você também.

E eu acredito em alguma espécie de direção
Que ambos podemos seguir, eu e você.

Então mantenha sua vela queimando
E faça o caminho claro e puro

Para que possamos voltar sempre
E para sempre... "



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- The Ship Song (Single - 1990)



Eu não sei exatamente porque gosto tanto dessa música. Claro que a melodia é linda e a letra também tem trechos arrebatadores, mas.... talvez o que mais agrade seja a delicadeza inesperada que a voz de Cave passa enquanto caminha pelas palavras. É de uma maciez impensada para alguém como ele. É simples e direta, como as notas certeiras no piano quase etéreo. Sei lá.... Ship Song me pega pelos calcanhares e, com sorte, também vai pegar você.


"Venha navegar ao meu redor
E queime todas as suas pontes

Nós fazemos um pouco de história, querida
Cada vez que você está por perto.


Solte seus cachorros em mim
E deixe seus cabelos se soltarem.
Você é um pequeno mistério para mim
Sempre que está por perto.


Nós conversamos durante toda a noite,
nós definimos nossa moral,
Mas quando me arrasto para seus braços
Todo o resto desmorona.


Seu rosto está triste agora
Pois você sabe que o momento está chegando
Quando eu preciso arrancar suas asas

E você precisa tentar voar.

Você é um pequeno mistério para mim..."


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Se você se interessou em conhecer mais sobre Nick Cave, ou simplesmente não tem nada mais útil pra fazer no momento, aí abaixo está o link de onde você pode baixar o Murder Ballads inteiro. No mesmo site também dá pra achar as outras duas musicas citadas, é só fuçar. E eu sei que você sabe se virar no 4shared, leitor nerd do meu coração.

http://search.4shared.com/network/search.jsp?sortType=1&sortOrder=1&sortmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchmode=2&searchName=murder+ballads.rar&searchDescription=&searchExtention=&sizeCriteria=atleast&sizevalue=10&start=0

Bora lá e se esforcem pra enxergar no tio Cave mais coisas além de um cabelo sofrível e possível depressão crônica. =)